Líderes do sul da África estudam maneira de resolver crise no Zimbábue

Lusaka, 12 (EFE).- Os líderes dos 14 países que integram a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) analisarão hoje em Lusaka (Zâmbia) uma maneira de resolver a crise política no Zimbábue, onde a Comissão Eleitoral se nega a divulgar os resultados das eleições presidenciais de 29 de março.

EFE |

A cúpula extraordinária da SADC, convocada na quarta-feira pelo presidente da Zâmbia e titular de turno da organização regional, Levy Mwanawasa, poderia ser a última oportunidade de pressionar o regime do líder zimbabuano, Robert Mugabe, para que ordene as autoridades eleitorais a divulgar os dados.

Os membros da Comissão foram nomeados por Mugabe, que exige mais tempo para que os votos sejam verificados antes que se anuncie o resultado do pleito.

A oposição denuncia que esta é uma manobra de Mugabe - que governou ininterruptamente Zimbábue desde a independência do país em 1980 - para se perpetuar no poder.

Sem que tenha sido divulgado um só dado parcial da apuração, Mugabe afirma que será necessário um segundo turno, pois nenhum dos três candidatos obteve mais de 50% dos votos.

O opositor Movimento para Mudança Democrática (MDC) afirma que seu líder, Morgan Tsvangirai, obteve 50,3% dos votos, contra 43,8% de Mugabe.

O MDC reuniu os resultados levando em conta a lista publicada em cada mesa eleitoral no final do pleito, mas o partido governamental, Zanu-PF, denunciou "erros de procedimento" que teriam prejudicado Mugabe em vários colégios e reivindica uma recontagem dos votos.

Cansada de esperar pelo resultado das presidenciais, a oposição recorreu à Justiça para que a Comissão Eleitoral seja obrigada a divulgar os dados do pleito.

O tribunal emitirá na próxima segunda-feira sua sentença, mas a possibilidade de apelação em uma instância superior por qualquer uma das duas partes deve atrasar ainda mais os resultados, especialmente porque a Comissão Eleitoral alega agora que não pode divulgá-los, já que há um caso legal envolvido.

Os analistas na Zâmbia não possuem grandes expectativas sobre o resultado da cúpula da SADC, que sempre tratou com indulgência Mugabe, inclusive nos piores momentos de repressão política no Zimbábue. EFE mc/mh

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