Líderes do Senado fazem pressão por pacote nos EUA

Líderes dos partidos Republicano e Democrata no Senado americano pediram que o pacote de ajuda de US$ 700 bilhões seja aprovado na votação desta quarta-feira em Washington. O pacote, que foi rejeitado pela Câmara dos Representantes, sofreu algumas alterações e será votado no Senado nesta quarta-feira, antes portanto de ser novamente submetido à Câmara.

BBC Brasil |

O senador republicano Mitch McConnell disse que o pacote iria proteger os americanos das "ondas de choques de um problema que eles não criaram".

"Vamos mostrar ao povo americano que podemos lidar com uma crise em um momento difícil, antes de uma eleição, quando a tendência a ser partidário é mais forte. Estamos deixando isto de lado, enfrentando o desafio, democratas e republicanos, fazendo o que é certo para o povo americano", afirmou.

O senador democrata Harry Reid afirmou que espera uma demonstração forte de bipartidarismo. "Creio que cada parte desta proposta conta com apoio bipartidário e cada parte tenta chegar diretamente ao centro da nossa crise financeira. Ninguém está satisfeito em tomar esta medida dramática (...), ninguém está feliz por termos chegado a este ponto crítico (...)."
"Agora é hora de trabalhar, não como democrata ou republicano, mas como guardiões da confiança pública. Hoje à noite espero uma votação de apoio a este plano e que o bipartidarismo mostrado aqui no Senado leve a Câmera a fazer o mesmo", afirmou.

Campanhas paradas
O candidato democrata Barack Obama e o republicano John McCain, ambos senadores, devem interromper suas campanhas presidenciais e voltar a Washington na noite desta quarta-feira.

Obama afirmou que o pacote precisa ser aprovado, pois a atual crise financeira pode afetar rapidamente todos os americanos.

"Se não agirmos será mais difícil para você conseguir um financiamento para sua casa ou empréstimo para um carro ou para mandar seus filhos para a universidade. Companhias não vão conseguir empréstimos (...). Pequenas empresas podem não conseguir pagar os funcionários, milhares de negócios podem fechar. Milhões de empregos poderão ser perdidos. E uma longa e dolorosa recessão pode ocorrer", afirmou.

McCain, por sua vez, disse que apesar de o plano ser necessário, se ele for eleito, vai congelar quase todos os gastos do governo por um ano para ajudar a diminuir a carga financeira do pacote de ajuda.

"Precisamos perceber que este plano tem implicações sérias para gastos futuros. Não podemos dedicar potencialmente mais de US$ 1 trilhão para ajudar instituições que estão falindo e então agir como se nada tivesse acontecido em Washington, como se os recursos do governo ou a paciência dos contribuintes não tivesse fim", disse.

Mercados
Os mercados internacionais registraram uma reação mista antes da votação no Senado americano nesta quarta-feira.

No início do pregão em Wall Street, o índice Dow Jones registrava queda de 1,1%.

Na Ásia, o índice Nikkei, do Japão, fechou em alta de 1%. Na Austrália, o principal índice do país subiu 4%. Em Hong Kong, China, Cingapura, Indonésia, Malásia e nas Filipinas, os mercados não abriram, devido a um feriado.

Mas os mercados da Europa demonstraram mais cautela. O índice FTSE da bolsa de Londres registrou alta de 1,6% no início da tarde enquanto as bolsas da Alemanha e França registraram queda.

A crise financeira que começou no ano passado com quebras do setor imobiliário americano e se agravou nesta semana, depois que a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos rejeitou o pacote de ajuda às instituições com problemas.

Na segunda-feira, a bolsa de Nova York registrou a maior perda da história em pontos em um só dia.

Agora, o pacote que chegou ao Senado sofreu algumas alterações. Entre as mudanças está o aumento da taxa de restituição a correntistas no caso de uma instituição financeira quebrar.

A taxa passará de US$ 100 mil para US$ 250 mil. Os líderes dos dois partidos americanos ainda prometeram acrescentar ao pacote um projeto de corte de impostos.

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