Os líderes mundiais saudaram nesta quarta-feira a eleição de Barack Obama para a Presidência dos Estados Unidos como o início de uma nova era, alentada pelas promessas de mudança daquele que sucederá em janeiro George W. Bush.

"Muito tempo se passou. Mas esta noite, graças ao que fizemos neste dia, nesta eleição, neste momento de definições, a mudança chegou aos Estados Unidos", disse Obama em seu primeiro discurso como presidente eleito.

A chuva de felicitações ocorreu apenas quando ficou claro que Obama havia derrotado de maneira contundente o republicano John McCain.

O Brasil, por meio do chanceler Celso Amorim, parabenizou nesta quarta-feira o novo presidente dos Estados Unidos pela vitória nas eleições.

Amorim declarou ao jornal O Estado de São Paulo que Brasília espera que com Obama haja "uma distensão das relações dos Estados Unidos com a América Latina, especialmente em relação a Venezuela e Cuba".

O ministro das Relações Exteriores brasileiro, que está em Genebra, disse que considera "importante" a mudança política nos Estados Unidos após oito anos do republicano George Bush na Casa Branca, que manteve bons vínculos com o Brasil apesar das divergências políticas e comerciais.

"Não vamos negar que o governo brasileiro teve uma boa relação de pragmatismo e respeito com o governo de Bush", disse Amorim. "Mas agora a relação pode ser de afinidade e pretendemos estabelecer uma relação de sociedade com o novo governo americano", acrescentou.

Hugo Chávez, o presidente venezuelano que se opõe com veemência ao governo Bush, felicitou Obama por sua "eleição histórica" e afirmou a sua vontade de restabelecer "novas relações" com os Estados Unidos e relançar "uma agenda bilateral construtiva".

O presidente da Bolívia, Evo Morales, também classificou de histórica a vitória e pediu ao novo presidente que levante o bloqueio econômico contra Cuba e retire as tropas "de alguns países".

O presidente do México, Felipe Calderón, por sua vez, pediu que Obama "trabalhe na construção de um futuro melhor para a região" da América Latina e do Caribe.

Nelson Mandela, que passou anos nas prisões da África do Sul e chegou ao poder após o fim do regime do apartheid, afirmou que a eleição de Obama demonstra que é possível "sonhar com um mundo melhor".

O governo do Quênia, país do falecido pai de Obama e onde vivem sua avó e seus meio-irmãos, decretou feriado nacional.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou em uma mensagem a Obama que o resultado das urnas coroa "uma campanha excepcional, cujo alento e alto nível demonstraram a todo o mundo a vitalidade da democracia norte-americana".

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, afirmou que Obama "realizou uma campanha inspiradora e infundiu uma grande energia política com seus valores progressistas e sua visão de futuro".

A chefe de governo alemã, Angela Merkel, ressaltou o valor da aliança Washington-Berlim. "Você pode ficar seguro de que meu governo está consciente da importância e do valor de nossa associação transatlântica", disse Merkel em sua mensagem.

O presidente russo Dmitri Medvedev expressou em um discurso à nação o seu desejo de que "o novo governo norte-americano" estabeleça "boas relações" com Moscou, embora tenha evitado mencionar o nome de Obama.

O presidente chinês, Hu Jintao, manifestou a esperança de que o governo de Obama leve, "neste novo período histórico, a relação construtiva entre China e Estados Unidos a um novo nível".

O primeiro-ministro japonês, Taro Aso, destacou a sua vontade de fazer "todo o possível para reforçar a aliança do Japão com os Estados Unidos e resolver os diferentes problemas que a comunidade internacional enfrenta".

O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, disse que seu país e os Estados Unidos "estão ligados por seu apego comum à liberdade, à justiça, ao pluralismo, aos direitos individuais e à democracia" e que "esses ideais constituem bases sólidas para uma associação estratégica e amistosa".

A esperança suscitada pela eleição de Obama está à altura dos enormes desafios que os Estados Unidos enfrentam. O país está envolvido em duas guerras, no Iraque e no Afeganistão, e mergulhado em uma grave crise financeira e econômica que teve efeitos recessivos em todo o mundo.

O porta-voz do Vaticano desejou que o novo presidente Obama "possa atender às expectativas e às esperanças que gerou (...) para promover a paz no mundo, favorecendo o crescimento e a dignidade da pessoa em relação aos valores humanos e espirituais essenciais".

O presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, defendeu um "new deal" entre Estados Unidos e o restante do mundo para superar os desafios da crise financeira e econômica.

Iraque e Afeganistão serão temas prioritários para Obama, que assumirá o posto no dia 20 de janeiro, após oito anos de governo do republicano Bush.

Mas segundo o chanceler iraquiano, Hoshyar Zebari, o governo democrata de Obama evitará ordenar "uma retirada rápida" do Iraque.

"Não achamos que haverá uma mudança política brusca e não haverá uma retirada brusca norte-americana do Iraque porque aqui está em jogo um assunto importante", disse Zebari à AFP.

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, afirmou que o "primeiro e principal pedido" que fará a Obama será o fim dos mortíferos ataques norte-americanos contra civis em seu país, que na terça-feira deixaram vários mortos.

O primeiro-ministro do Paquistão, Yusuf Raza Gilani, manifestou a esperança de que Obama promova "a paz e a estabilidade" na região, assolada pela guerra travada por Estados Unidos e Otan contra os talibãs no vizinho Afeganistão e contra seus aliados islâmicos no noroeste do Paquistão.

Os dois candidatos à chefia do governo israelense, Tzipi Livni (centro) e Banjamin Netanyahu (direita) destacaram seu convicção de que os Estados Unidos seguirão cooperando estreitamente com Israel.

"Israel espera manter a estreita cooperação estratégica" com Obama, disse Livni, enquanto Netanyahu afirmou que os dois países "trabalharão juntos pela paz em nossa região e por um futuro melhor para todos".

O presidente palestino, Mahmud Abbas, instou Obama a acentuar os esforços norte-americanos para chegar a uma solução para o conflito entre israelenses e palestinos.

"O presidente Abbas felicita o presidente norte-americano eleito Barack Obama em seu nome e em nome do povo palestino e espera que acelere os esforços efetuados para a obtenção da paz, já que a solução do problema palestino e do conflito entre israelenses e árabes é a chave para a paz mundial", disse à AFP o porta-voz de Abbas, Nabil Abu Rudeina.

O movimento islâmico palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza, pediu que Obama "aprenda a lição dos erros" dos governos anteriores e "em particular de (George. W) Bush" em relação ao mundo árabe-muçulmano e que "melhore as relações dos Estados Unidos com o restante do mundo em vez de continuar apertando o garrote".

burs/dm

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