Líderes do G8 se reúnem em um dos lugares mais isolados do Japão

Patricia Souza Toyako (Japão), 6 jul (EFE).- Os líderes do Grupo dos Oito (G8, os sete países mais industrializados e a Rússia) começaram a chegar hoje a um isolado forte de Hokkaido, a ilha mais ao norte do Japão, onde a partir de amanhã devem falar sobre mudança climática, crise alimentícia e escalada do preço do petróleo.

EFE |

Em meio ao fantasma da crise econômica, a cúpula do G8 - formado por Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Alemanha, França, Itália, Rússia e Canadá -, que acontecerá até quarta-feira, tem uma ambiciosa agenda, mas pode gerar poucos resultados.

Além dos líderes do G8, participarão da reunião os presidentes ou primeiros-ministros de 14 países em desenvolvimento, emergentes e desenvolvidos, que no total somam mais de 80% das emissões de dióxido de carbono à atmosfera.

O aquecimento global é este ano o grande tema da cúpula, mas as tensões geradas pela alta dos preços dos combustíveis e dos alimentos, que em alguns casos duplicaram em alguns meses, colocam também o temor da inflação e da estagnação econômica no centro do debate.

A cúpula começa nesta segunda-feira às 12h30 local (0h30 de Brasília), com um encontro com os líderes de sete países africanos, mas alguns dos líderes já chegaram hoje ao luxuoso hotel Windsor do Lago Toya, onde acontecerá a cúpula, em meio a belas montanhas e protegidos por 20 mil policiais.

O primeiro a chegar foi o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que, junto com a esposa, Laura, chegou às 13h20 local (1h20 de Brasília) para a que será sua última reunião do G8, cerca de seis meses antes de o líder americano deixar o cargo.

Hoje mesmo, o anfitrião da reunião de três dias, o primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, manteve uma reunião bilateral com Bush, centrada na Coréia do Norte e no processo de desnuclearização norte-coreano.

Chegaram depois, entre outros, os primeiros-ministros do Canadá, Stephen Harper, e da Itália, Silvio Berlusconi, e o presidente da Comissão Européia (órgão executivo da União Européia), José Manuel Durão Barroso.

Outros, como a chanceler alemã, Angela Merkel, adiaram sua chegada para amanhã.

A agenda da cúpula se centrará na segunda-feira na África, com a presença de sete líderes desse continente, em meio a especulações de que os países ricos poderiam voltar atrás em seus compromissos milionários de assistência adotados em reuniões anteriores, devido à atual situação econômica.

A Casa Branca espera que, durante a cúpula, haja uma condenação sobre a situação política no Zimbábue, pois muitos dos presentes denunciaram os eventos ocorridos durante as recentes eleições, às quais o presidente zimbabuano, Robert Mugabe, concorreu como candidato único no segundo turno.

Na terça-feira, os líderes do G8 debaterão no Lago Toya questões econômicas e políticas, como a estabilização dos mercados, a segurança alimentar e o regime de não-proliferação nuclear, enquanto na capital de Hokkaido, Sapporo, será a vez dos países emergentes.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os líderes do México, Índia, China e África do Sul, que integram o G5, pedirão a liderança dos países ricos na luta contra o aquecimento global, diante da posição dos EUA a favor de um acordo vinculativo para incluir os países emergentes, e pedirão o fim dos subsídios agrícolas.

No ano passado, o G8 definiu em sua cúpula na Alemanha "considerar seriamente" a meta de reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 50% até 2050, como busca o Japão, mas cada vez parece menos provável que haja uma declaração contundente em Hokkaido, devido às divergências entre os países.

Bush disse hoje, em entrevista coletiva com Fukuda, que está se trabalhando duramente para que haja uma declaração "positiva" sobre a mudança climática, mas não falou sobre datas.

O debate sobre o aquecimento global centrará as reuniões da quarta-feira, e dele participarão os líderes do G8 e do Brasil, Austrália, China, Índia, Indonésia, México, Coréia do Sul e África do Sul, mas o fato de que fique para o último dia deixa pouca margem de manobra para anunciar um acordo relevante. EFE psh/an

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