Líderes do G20 se reúnem em busca de caminho comum para reformas

Paco G. Paz.

EFE |

Washington, 15 nov (EFE).- Os Chefes de Estado e de Governo do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e os principais emergentes) apresentam hoje em Washington suas propostas para reformar a arquitetura financeira mundial, embora sem muito consenso, além de sua determinação para sair da crise econômica.

Estados Unidos e Europa chegam a esta cúpula do bloco dispostos a estipular as bases para as futuras reformas financeiras e para frear futuras turbulências, mas com diferentes sugestões para atingir esses objetivos.

O Governo de George W. Bush quer preservar o espírito de livre mercado e evitar uma excessiva intervenção do Estado, apesar de nas últimas semanas ter quebrado suas próprias crenças ao nacionalizar gigantes financeiros como o AIG e injetar no sistema centenas de milhões de dólares para reativar a economia.

A União Européia (UE), por outro lado, procura fazer com que destas reuniões saia um compromisso para que os diferentes Governos exerçam um maior controle sobre seus sistemas financeiros, a única maneira possível de evitar os excessos que levaram ao atual desastre econômico.

Apesar das diferenças que lhes separam, todos os Governos representados na cúpula planejam aumentar o gasto público para sair da crise.

O mais difícil no momento é chegar a um consenso para reformar as regras dos mercados financeiros internacionais, algo que não deve sair na reunião de hoje.

Todos coincidem em que será preciso esperar a próxima cúpula, que será realizada no final de fevereiro ou no começo de março, quando o presidente eleito dos EUA, o democrata Barack Obama, já terá assumido o poder.

Em discurso transmitido nos EUA, Obama anunciou nesta sexta-feira sua determinação de tocar adiante um novo plano de estímulo econômico com mais uma intervenção do Estado, ao contrário do que pensa o atual Governo Bush.

No entanto, os chefes de Estado e de Governo que se reunirão hoje no Museu Nacional da Construção (NBM, na sigla em inglês), em Washington, vão se esforçar para enviar uma mensagem de otimismo ao mundo, pressionados pelo enfraquecimento das economias dos cinco continentes.

Além de estipular as novas bases para o sistema financeiro internacional, o bloco discutirá as medidas que devem ser adotadas no curto prazo para reativar as economias. Reino Unido, Alemanha e China já anunciaram medidas de estímulo fiscal.

Uma das propostas apresentadas dentro do bloco foi a criação de uma rede de agências de supervisão que possa controlar os gigantes bancários que atuam em todos os pontos do planeta.

O Governo Bush apóia esta proposta, que foi formulada pelo Reino Unido. É um projeto muito mais modesto que o estabelecimento de uma agência única de regulação internacional, proposto pela França e que encontrou a rejeição dos Estados Unidos.

O primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, também mostrou suas divergências com a proposta francesa, ao afirmar ontem que não era nem "realista nem factível".

Um dos resultados tangíveis da cúpula provavelmente será um aumento das contribuições ao Fundo Monetário Internacional (FMI), para que conte com uma maior capacidade de manobra para apagar os incêndios iniciais da crise.

O primeiro-ministro japonês, Taro Aso, oferecerá US$ 100 bilhões à entidade, iniciativa que pode ser seguida pela China e alguns dos países exportadores de petróleo.

O organismo conta com US$ 200 bilhões e pode obter facilmente outros US$ 50 bilhões, mas se um país grande como Polônia ou Turquia se encontrar em problemas, suas reservas se evaporariam.

O presidente americano também adiantou esta semana que outro dos resultados da cúpula poderia ser o compromisso para elaborar normas padrões de contabilidade financeira e criar regras comuns para os produtos derivados financeiros mais sofisticados.

Independentemente da aprovação ou não dessas propostas, todos os líderes dos países do G20, que reúne 85% da economia mundial, coincidem na necessidade de que é necessário voltar a se reunir no futuro. EFE pgp/mh

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