Líderes defendem Nobel da Paz para ativista chinês

PARIS - O líder espiritual do Tibete, Dalai Lama, o sul-africano Desmond Tutu, símbolo da luta contra o apartheid, e o ex-presidente da República Checa Václav Havel pediram nesta segunda-feira que o Prêmio Nobel da Paz seja concedido ao dissidente chinês Liu Xiaobo, condenado a 11 anos de prisão.

EFE |

"Por sua coragem e clareza de pensamento sobre o futuro da China", Liu merece o reconhecimento do Nobel, diz o texto publicado no jornal francês "Le Figaro". Os autores afirmam que "as ideias que Liu e seus colegas deixaram escrito em dezembro de 2008 são ao mesmo tempo universais e atemporais".

Os autores do texto se referem ao manifesto político "Carta 08", no qual Liu e outros 303 artistas e intelectuais pediam reformas políticas na China como o sufrágio universal, a liberdade de imprensa ou o fim do sistema de partido único. Por causa disso, Liu foi condenado a 11 anos de prisão por "subversão contra o poder do Estado".

A concessão do prêmio Nobel ao intelectual chamaria a atenção da opinião pública mundial para a injustiça e "contribuiria para ampliar no interior da China os valores humanistas universais", diz o artigo, também assinado, entre outros, pelo filósofo André Glucksmann e pelo ex-secretário-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Mike Moore.

"O respeito aos direitos humanos e à dignidade humana" e a responsabilidade cidadã "de zelar para que o governo respeite esses direitos" são algumas das ideias defendidas por Liu e pelos signatários do manifesto.

O artigo ressalta que a contribuição de Liu para a luta em favor dos direitos humanos o coloca à altura do ativista americano Martin Luther King, do ex-presidente reformista polonês Lech Walesa ou da opositora birmanesa Aung San Suu Kyi, todos eles premiados com o Nobel.

Os esforços de Liu são destinados a "melhorar a situação do povo chinês", acrescenta o texto.

"Sua coragem e seu exemplo" podem contribuir para que a China participe dos desafios mundiais "sob o olhar de grupos da sociedade civil, de meios de comunicação independentes e de cidadãos comprometidos" que possam "expressar seus pontos de vista com uma cédula eleitoral", diz o artigo.

"A severidade da pena de prisão a Liu pretende ser uma ameaça a todos aqueles que queiram seguir seus ideais", conclui o texto, segundo o qual a concessão do Nobel da Paz em 2010 constituiria a resposta "exemplar" que merece a "coragem" do dissidente chinês.

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