Líderes de Santa Cruz dizem que Morales deseja guerra civil

Santa Cruz (Bolívia), 12 set (EFE) - Um líder cívico e um dirigente juvenil da cidade boliviana de Santa Cruz (leste) disseram hoje que o Governo do presidente Evo Morales procura um confronto violento com a oposição que cause uma guerra civil. Esta é a opinião dos vice-presidentes da Unión Juvenil Cruceñista (UJC) e do Comitê Cívico, Tomás e Luis Núñez, duas influentes organizações sociais de Santa Cruz às quais o Governo acusa de instigar a onda de violência que assola o departamento e que se estendeu pelo país. Estão nos induzindo a uma guerra civil (...

EFE |

) querem amedrontar o povo do leste", disse Monasterios a jornalistas.

"Denunciamos que o Governo quer nos submeter ao medo e ao confronto entre os cidadãos de Santa Cruz e bolivianos", afirmou, por sua vez, Núñez em entrevista coletiva.

Para o vice-presidente do Comitê Cívico, uma das mais influentes organizações de oposição, o Executivo de Morales "mente, insulta, provoca e procura a violência".

Os protestos dos autonomistas bolivianos geraram uma onda de violência em várias regiões do país, que incluíram bloqueios de estradas e tomada de instituições estaduais e deixaram até o momento pelo menos oito mortos e dezenas de feridos.

Os autonomistas exigem que o Governo restitua às regiões suas receitas pelo Imposto Direto aos Hidrocarbonetos (IDH) que foram desviadas ao pagamento de um bônus aos maiores de 60 anos.

Morales convocou para um diálogo os governadores regionais de oposição, em uma reunião à qual comparecerá o líder de Tarija, Mario Cossío, como representante dos cinco governadores opositores que encabeçaram os protestos.

Segundo Núñez, para que o diálogo não signifique uma "piada", o Governo tem que restituir às regiões o IDH, parar o projeto de reforma constitucional com o qual Morales procura voltar a fundar o país e reconhecer a autonomia departamental.

"Se o Governo quer diálogo, que não continue nos roubando os recursos que significam autonomia. Se quer diálogo, que retire seu projeto de Constituição manchado de sangue", afirmou Núñez, para quem, "se isso acontecer, será que quer fazer um pacto entre todos os bolivianos".

Os protestos, que começaram com bloqueios de estradas, derivaram na terça-feira na sistemática tomada dos escritórios estatais nas quatro regiões que aprovaram este ano em referendo seus estatutos de autonomia, os quais o Governo qualifica de "ilegais" e "separatistas".

Núñez disse ainda que a oposição não vai dar "nem um passo para trás" em suas "conquistas pela autonomia", quando faltam poucas horas para que a oposição inicie um processo de diálogo com o Governo de Evo Morales.

"Não podemos dar um passo atrás até que o Governo reconheça o voto sagrado dos cidadãos de Santa Cruz em 4 de maio", acrescentou Núñez em referência à data na qual se realizou o referendo do estatuto de autonomia do departamento.

Por sua vez, Monasterios justificou a estratégia de tomada de instituições governamentais pela "inoperância absoluta das empresas estatais".

"Estamos brigando pela democracia, estamos brigando pela liberdade", afirmou o líder juvenil, que assinalou que seu movimento não vai permitir "que se imponha um sistema retrógrado como é o socialismo do século XXI", por considerar que é um "caminho direto ao comunismo". EFE az/db

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