Líderes de protesto contra Governo da Tailândia admitem se render

Bangcoc, 14 abr (EFE).- Os líderes dos manifestantes opositores ao Governo da Tailândia anunciaram hoje que estão dispostos a abandonar a mobilização, perante o avanço das tropas em direção à sede do Executivo, onde o protesto ocorre.

EFE |

Assim disse Chatuporn Promphan, dirigente da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura, formada por seguidores do ex-primeiro-ministro deposto Thaksin Shinawatra e que exigia a queda do atual Executivo de Abhisit Vejjajiva.

Tropas tailandesas avançaram hoje em direção aos milhares de manifestantes que estão acampados diante da sede do Governo, horas depois que choques entre soldados e ativistas deixaram pelo menos dois mortos e 103 feridos.

Exército e Polícia romperam o perímetro de segurança fixado ao redor dos seis ativistas, que se preparavam para uma batalha possível com as tropas.

Os soldados, com escudos e cassetetes, pediram aos moradores que não saiam de casa antes que comece a operação para dissolver o protesto, enquanto caminhões blindados carregados de tropas seguem chegando ao local, fechado a pedestres.

Para enfrentar os veículos Humvee e caminhões blindados dos militares, os ativistas ergueram barricadas com árvores arrancadas, incendiaram ônibus e pneus, e guardaram pedras e tijolos para que possam atirá-los em direção aos soldados, segundo testemunhas.

Na noite de segunda-feira (hora local), dois civis morreram após ser baleados pelos manifestantes em uma área próxima ao palácio governamental, e outras nove pessoas ficaram feridas pelos disparos.

Durante o dia, as tropas atiraram em várias ocasiões para dispersar os manifestantes espalhados pela parte antiga de Bangcoc, em cumprimento ao estado de exceção que vigora desde domingo na zona metropolitana e em cinco províncias dos arredores.

As autoridades reforçaram o controle de estradas, portos e aeroportos para evitar que sejam ocupados pelos opositores, como aconteceu em dezembro com os detratores de Shinawatra, que ocuparam a sede do Governo e os dois aeroportos da capital.

O primeiro-ministro tailandês, Abhisit Vejjajiva, declarou de madrugada que a situação está quase sob controle, e reiterou seu apelo para que a população coopere no restabelecimento da ordem.

Os soldados saíram às ruas no domingo em Bangcoc, dia depois que os protestos forçaram ao cancelamento de uma cúpula de líderes asiáticos em Pattaya.

A Tailândia vive há três anos uma profunda crise política motivada pela disputa entre partidários e opositores de Shinawatra, deposto por um golpe de Estado em 2006. EFE grc/rr

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