Líderes das Américas se reúnem, Cuba deve dominar pauta

Por Pascal Fletcher PORT OF SPAIN (Reuters) - Líderes das Américas se reúnem na sexta-feira para uma cúpula ofuscada pelo intenso debate sobre a possível reconciliação entre Estados Unidos e Cuba e sobre como isso pode ser alcançado.

Reuters |

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em sua primeira investida diplomática como líder dos Estados Unidos na América Latina e no Caribe, estendeu a mão ao governo comunista de Cuba, dizendo querer "passar a limpo" a relação hostil entre Washington e Havana. Mas ele quer que Cuba ajude, concedendo mais liberdades políticas.

Aumentando as esperanças para uma possível aproximação, o presidente cubano, Raúl Castro, disse na Venezuela na quinta-feira que seu país está aberto para dialogar com os EUA sobre "tudo". Mas exigiu respeito à soberania de Cuba.

A perspectiva de descongelamento de um conflito ideológico que marcou o hemisfério por meio século já está predominando na Cúpula das Américas, que começa nesta sexta-feira em Port of Spain, capital de Trinidad e Tobago, no Caribe. Cuba está excluída do encontro com 34 líderes regionais.

A questão dos laços cubano-norte-americanos não está na agenda formal da cúpula nem foi incluída no rascunho da declaração final, que propõe ampla coordenação para combater os efeitos da crise econômica global que atinge os países da região, desde EUA e Brasil até os menores países do Caribe.

Em sua declaração na quinta-feira, Castro disse que seu país está preparado para discutir com os EUA "direitos humanos, liberdade de imprensa, prisioneiros políticos, tudo, tudo, tudo sobre o que quiserem conversar".

Em visita à República Dominicana na sexta-feira antes de viajar para Port of Spain, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, saudou o que chamou de "gestos de boa vontade".

"Estamos estudando isso de forma muito séria e vamos considerar como planejamos responder", disse ela a jornalistas.

No começo da semana, Obama abriu uma brecha no embargo ao terminar com as restrições às viagens familiares a Cuba e deixando empresas norte-americanas se candidatarem a concessões na área de telecomunicações. Clinton descreveu as medidas como "as mudanças políticas mais significativas conduzidas pelo governo dos Estados Unidos em relação a Cuba em décadas".

Cuba, cuja revolução nacionalista de 1959 liderada por Fidel Castro levou à introdução de um Estado comunista unipartidário, foi expulsa da Organização dos Estados Americanos em 1962.

A reunião de cúpula ocorre no aniversário de um dos piores desastres da política externa norte-americana da história recente, a fracassada invasão da Baía dos Porcos de Cuba em abril de 1961, quando exilados cubanos apoiados pela CIA foram derrotados no sul de Cuba.

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