Líderes das Américas chegam a Trinidad para encontro marcado por questão cubana

Os chefes de Estado e de governo de 34 países chegaram nesta sexta-feira a Trinidad e Tobago para participar da quinta Cúpula das Américas. A reunião, vista como o ponto de partida para um novo diálogo entre o Norte e o Sul, deve ser dominada pela questão das relações entre Cuba e Estados Unidos, com vários países da região pedindo a Washington o fim do embargo à Ilha.

Redação com AFP |


A falta de referência ao embargo na declaração final da Cúpula já provocou indignação em alguns países, como Venezuela, Nicarágua e Honduras, e fontes ligadas ao encontro afirmam que estes Estados planejam vetar o documento, que normalmente é aprovado por consenso.

Em nenhuma edição da Cúpula das Américas, que começou a ser realizada em 1994, em Miami, ocorreu um veto à declaração final por parte de um grupo de países.

De qualquer modo, as fontes acreditam que até domingo haverá tempo para aparar arestas e modificar o texto. "Tenho a esperança de que chegaremos a um bom acordo. Seria uma gravíssima irresponsabilidade de todos não obtê-lo", declarou à AFP o presidente da Guatemala, Alvaro Colom, nesta sexta-feira.

Como gesto de boa vontade, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, José Miguel Insulza, anunciou, antes do início da Cúpula, que proporá o fim da resolução que excluiu Cuba da OEA, durante a próxima assembleia da entidade, em junho.

"Minha primeira proposta é que anulemos a resolução de 1962 e vou pedir isto na Assembleia Geral da OEA", explicou Insulza.

Os países latino-americanos concordam que os Estados Unidos devem acabar com o embargo imposto há mais de quatro décadas, mas apenas a esquerda mais radical, liderada pela Venezuela, deseja exigir isto de Obama durante a Cúpula.

Outros países latino-americanos, como Brasil e Chile, defendem uma reintegração progressiva de Cuba à OEA e o fim do embargo, mas acreditam que Cúpula não é o momento certo para exigir isto de Obama.

Para os Estados Unidos, seria uma "lástima" que a questão cubana ou as tensões entre Washington e alguns governos da região desviassem a atenção dos temas previstos.

Os 34 líderes do continente, que representam 800 milhões de pessoas, têm uma agenda centrada na prosperidade, na aposta de uma energia limpa e renovável, e na governabilidade democrática.

As possíveis soluções regionais para a crise econômica mundial também ocuparão um lugar fundamental nas discussões. "Os Estados Unidos estão trabalhando para promover a prosperidade no hemisfério impulsionando sua própria recuperação", disse Obama.


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