Líderes de 15 países da União Européia se encontram na capital francesa, Paris, neste domingo, para estabelecer uma posição conjunta no combate à crise financeira. A ministra de Finanças da França, Christine Lagarde, disse que a conferência vai preencher o esqueleto do plano aprovado pelo G7 (o grupo das sete nações mais ricas do mundo) em Washington com carne.


França, Alemanha e Itália já assinaram embaixo de alguns dos principais objetivos do acordo fechado pelo G7 na última sexta-feira.

As medidas foram bem-vindas, mas todos querem ver ações rápidas para determinar os detalhes do plano, segundo o analista econômico da BBC Andrew Walker.

Sem fundo de resgate

Antes da reunião deste domingo, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceller alemã, Angela Merkel, disseram que vão apresentar várias propostas para amenizar o congelamento de crédito que causou o colapso de vários grandes bancos internacionais.

Porém, após se encontrar em Paris neste sábado, os dois líderes afirmaram que a conferência não vai resultar em um fundo de resgate financeiro conjunto para a Europa, nos moldes do recente plano americano no valor de US$ 700 bilhões.

Merkel disse que os governos precisam "redirecionar os mercados para que eles atendam às pessoas, não para que as leve à ruína".

Grã-Bretanha

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, deve conversar com o presidente Sarkozy antes da reunião depois de prometer que a Grã-Bretanha vai "conduzir o caminho" para sair da crise financeira.

Como a Grã-Bretanha não adotou o euro como moeda única, Brown não deve participar na conferência dos líderes do bloco neste domingo, mas, de acordo com um porta-voz do governo britânico, Sarkozy teria convidado o premiê para participar de parte do encontro.

Os líderes das quatro maiores economias européias - Grã-Bretanha, França, Alemanha e itália - realizaram a primeira reunião sobre a crise na semana passada, mas estavam divididos em relação a um plano comum.

Analistas dizem que mais uma semana de mercados em queda forçou os líderes a concentrarem seus esforços e o grande teste das decisões deste fim-de-semana ocorrerá na abertura dos mercados, nesta segunda-feira.

Após dois dias de discussões, o governo australiano decidiu garantir todos os depósitos bancários durante três anos.

O primeiro-ministro do país, Kevin Rudd, também disse que seu governo vai garantir um fundo de venda por atacado para bancos australianos numa tentativa de apoiar as instituições financeiras afetadas pela crise.

Críticas ao plano

Neste sábado, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse que o sistema financeiro internacional está "à beira do derretimento sistêmico" e criticou a postura do G7, o grupo das sete maiores economias do mundo, em relação à crise.

Kahn criticou o plano apresentado pelos ministros das finanças do G7 após, dizendo que ele não é suficiente para restaurar a confiança dos mercados.

"As preocupações cada vez maiores em relação à solvência de várias das maiores instituições financeiras européias e americanas empurraram o mundo para a beira do derretimento sistêmico", disse Kahn.

O plano lançado pelo G7 tem cinco pontos. O grupo prometeu ''usar todas as ferramentas possíveis para apoiar sistematicamente importantes instituições financeiras e impedir suas falências'' e ''tomar todos os passos para garantir que bancos e outras instituições financeiras tenham pleno acesso à liquidez e ao financiamento''.

O grupo dos países ricos também destacou a necessidade de ''garantir que os bancos de nações diversas possam, quando necessário, levantar capital de fontes públicas, bem como privadas''.

O quarto ponto de ação foi o de ''assegurar que as garantias dos depósitos sejam robustas e consistentes".

O último ponto foi de se comprometer ''a tomar medidas, quando apropriado, para reativar os mercados secundários de hipotecas, e outros ativos titularizados''.

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