Líderes da Unasul se reunirão em Santiago para discutir crise na Bolívia

Santiago do Chile, 13 set (EFE) - Os presidentes da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) se reunirão em Santiago na segunda-feira para analisar a crise na Bolívia e buscar medidas que contribuam para normalizar a situação, anunciou hoje a presidente do Chile, Michelle Bachelet. A preocupação central de todos os chefes de Estado da região é que queremos uma Bolívia em paz, e essa é uma tarefa da Unasul, afirmou Bachelet, que confirmou a convocação feita na noite desta sexta-feira pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Chávez, em declarações a um canal estatal de televisão, disse que a Unasul se reunirá em Santiago na segunda-feira para agir a tempo perante o que considerou um golpe de Estado em andamento na Bolívia. Há um golpe de Estado em andamento. Estão derrubando (o presidente da Bolívia) Evo (Morales) debaixo de nossos próprios narizes e isso gerará um impacto terrível, declarou Chávez, que acusou o presidente dos Estados Unidos, George W.

EFE |

Bush, de estar por trás do suposto golpe.

A Unasul, que tem convocada uma cúpula ordinária de presidentes para outubro na cidade chilena de Viña del Mar, é integrada por Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Paraguai, Suriname, Uruguai e Venezuela.

Bachelet, presidente rotativa da Unasul, disse aos jornalistas que a reunião acontecerá "na segunda-feira à tarde", em Santiago.

A chilena disse que o chefe de Estado boliviano, com quem disse ter conversado muito na sexta-feira à noite, "verá se tem condições" de comparecer ao encontro.

Bachelet também afirmou estar em contato permanente com o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza.

Em La Paz, Morales avaliou hoje positivamente a proposta de reunião de emergência da Unasul, mas se absteve de dizer se irá ao encontro.

Em todo caso, agradeceu a "grande solidariedade da comunidade internacional" a seu Governo frente à crise que, segundo fontes do Executivo, deixou 16 mortos nos confrontos ocorridos no departamento de Pando (norte), que se encontra em estado de sítio.

Em entrevista coletiva, o presidente boliviano declarou que não ampliará o estado de sítio a outras regiões se os opositores autonomistas cessarem seus ataques contra as instituições estatais e a infra-estrutura energética.

A crise na Bolívia começou há mais de duas semanas com uma onda de protestos nos departamentos controlados pela oposição e que derivou em uma espiral de violência nos últimos dias.

O Governo e a oposição concordaram nas últimas horas em continuar com o objetivo de pacificar o país.

Bachelet disse em Santiago que, na reunião, serão buscadas "medidas" para conseguir a paz no país andino.

"Não queremos permanecer impávidos perante uma situação que nos preocupa", acrescentou.

A idéia, segundo a presidente chilena, é ver como adotar uma "uma atitude positiva, construtiva, que permita aproximar as partes e apoiar os esforços do Governo e do povo boliviano em prol de seu processo democrático, da estabilidade e da paz".

Sobre quantos presidentes desembarcarão em Santiago na segunda-feira, Bachelet não quis antecipar dados, que dependem das "situações em cada país", mas afirmou que haverá um "número grande" de chefes de Estado ou de seus representantes na reunião.

A convocação "dá conta da preocupação de todos os presidentes da região, que querem uma Bolívia em paz, com seu desenvolvimento democrático respeitado", acrescentou a presidente chilena.

"É nossa tarefa, como Unasul, já que acreditamos, ao formá-la, que a integração e a unidade dos povos e dos Governos são necessárias", concluiu. EFE ns/wr/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG