Bruxelas, 28 fev (EFE).- O primeiro-ministro da República Tcheca, Mirek Topolanek, cujo país está à frente da Presidência rotativa da União Europeia (UE), pediu hoje aos líderes do bloco que sejam solidários e responsáveis ao responderem à crise econômica.

A um dia da cúpula informal que amanhã reunirá em Bruxelas os chefes de Estado e de Governo da UE, Topolanek reiterou que os países-membros só superarão a crise com uma atuação coordenada e que respeite as leis do bloco.

"Não queremos novas linhas divisórias. Não queremos uma Europa dividida de norte a sul ou de leste a oeste", destacou o premiê tcheco, que considerou "inaceitável" alguns Estados-membros adotarem medidas que prejudicam países vizinhos.

Topolanek também destacou a importância da manutenção do mercado interno, que, segundo disse, deve virar o motor da recuperação.

A reunião de amanhã tem como objetivo mostrar a unidade do bloco frente à crise e pôr freio às possíveis tentações protecionistas de alguns países.

"Todos os esforços e medidas para combater a crise na UE devem respeitar o princípio de solidariedade, mas também é necessário que todos mostrem responsabilidade", declarou Topolanek.

A expectativa é que a cúpula de amanhã termine com uma mensagem clara de unidade, com soluções coordenadas e sem medidas que ponham em risco o mercado único e a livre circulação de trabalhadores dentro da UE.

"Nada é mais vital que manter o mercado único neste momento", destacou uma fonte diplomática.

Em tese, a cúpula é uma preparação para a reunião de chefes de Estado e de Governo marcada para os dias 19 e 20 de março. Porém, foi convocada pela Presidência tcheca da UE para aplacar a preocupação de alguns Governos e frear a ideia da França de convocar uma cúpula dos países do euro.

Para evitar que as nuvens fiquem ainda mais carregadas dentro do bloco, os líderes que se reunirão amanhã discutirão a extensão da crise financeira e econômica e as últimas medidas aprovadas em nível nacional e europeu para contê-la.

"A situação não melhorou este ano", reconheceu uma fonte diplomática, em alusão ao aumento do desemprego e à recessão em que muitos países da UE entraram.

A República Tcheca também propôs a assinatura de um compromisso com o Pacto de Estabilidade e a consolidação orçamentária, e que os Estados-membros discutam medidas que possam ajudar todos os países e a contribuição do bloco para a cúpula do G20, que acontece em 2 de abril, em Londres.

Sobre estabilização do setor financeiro, os participantes falarão das medidas já aprovadas e também das ideias que a Comissão Europeia (CE, órgão executivo da UE) apresentou para liberar os bancos dos ativos tóxicos, como a possibilidade de serem criados "bancos podres".

Além disso, serão debatidas propostas de um grupo de especialistas para criar um sistema de supervisão mais integrado.

Quanto à estratégia para reativar a economia, os líderes discutirão a aplicação do plano de relançamento europeu, que consumiria 1,5% do PIB europeu.

Em relação às medidas a serem aplicadas em nível nacional, a Comissão Europeia estuda atualmente seis planos de ajuda ao setor automobilístico, para evitar o protecionismo do qual é acusada a França, cujo plano de ajuda às montadoras exigiria que as empresas mantivessem abertas suas fábricas em território francês.

Os líderes da UE também esperam retomar uma postura comum após as suspeitas geradas pela reunião realizada em Berlim no último domingo, na qual oito membros do bloco prepararam a contribuição europeia à cúpula do G20.

O encontro na Alemanha reuniu os chefes de Governo e ministros de Finanças dos países europeus do G7 (Alemanha, França, Reino Unido e Itália) e dos da República Tcheca, de Luxemburgo, da Espanha e da Holanda.

Porém, no dia seguinte à reunião, durante o conselho de ministros de Assuntos Exteriores da UE, cinco países reclamaram do formato do encontro de domingo, com o argumento de que prejudicava a coesão comunitária.

Até os dias 19 e 20 de março, uma outra cúpula reunirá os chefes de Estado e de Governo dos nove países da Europa central e do Leste europeu que entraram na UE em 2004 e 2007.

Nela, os participantes vão tratar da delicada situação financeira dessa região, especialmente de seus bancos. EFE rcf/sc

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