Líderes da UE rejeitam protecionismo para enfrentar crise

Os líderes dos países da União Europeia (UE), reunidos neste domingo em Bruxelas, concordaram que a adoção de medidas protecionistas não deve ser o caminho para enfrentar os efeitos da crise econômica sobre o bloco. Houve um consenso quanto à necessidade de evitar medidas protecionistas unilaterais, disse o português José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, o órgão executivo da UE.

BBC Brasil |

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, reforçou a mensagem. "Nós enfrentamos a ameaça de uma volta ao protecionismo", disse.

"Hoje foi o início de um consenso europeu no tocante a todos esses temas importantes que a comunidade mundial está enfrentando." A reunião ocorreu depois de o presidente francês, Nicolas Sarkozy, ter lançado um pacote de três bilhões de euros para as montadoras do país, a fim de garantir que não haverá cortes de vagas de trabalho.

O pacote de Sarkozy gerou temores de que um movimento protecionista nos países-membros possa ameaçar a recuperação do bloco como um todo.

Sarkozy negou acusações de protecionismo, mas disse que, se os Estados Unidos estão agindo para defender suas indústrias, a Europa deveria ter o mesmo direito.

No encontro, prevaleceu o discurso de que os países do bloco precisam se manter unidos para enfrentar as dificuldades financeiras.

"Nós precisamos de uma Europa sem barreiras, mas também justa", disse Mirek Topolanek, presidente da Republica Checa, que detém a presidência rotativa da UE.

Muitos dos mais recentes membros da UE no centro e no leste da Europa têm sido duramente afetados pela crise financeira.

A Hungria e a Letônia são dois exemplos. Amargando a falta de liquidez no mercado, os dois países já estão recebendo bilhões de euros de um fundo de emergência do bloco.

Os presentes à cúpula de Bruxelas rejeitaram uma proposta apresentada pela Hungria para a criação de um pacote de ajuda de emergência, de US$ 230 bilhões, para ajudar os países do centro e do leste europeu que enfrentam dificuldades.

Comentando o impacto da crise, o primeiro-ministro húngaro, Ferenc Gyurcsany, advertiu que existe o risco de surgir uma nova "cortina de ferro" na Europa - uma referência à fronteira imaginária que dividia os países do bloco comunista dos países da Europa Ocidental durante os anos da Guerra Fria.

Apesar disso, a proposta defendida por Gyurcsany esbarrou na resistência da chanceler da Alemanha, Angela Merkel.

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