Líderes da UE discutem ação conjunta de combate à crise

PARIS - Líderes de 15 países da União Européia estão reunidos na capital francesa, Paris, neste domingo, para estabelecer uma posição conjunta no combate à crise financeira. Antes do início da reunião, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse esperar que ela resulte em um plano ambicioso e coordenado para conter a crise.

BBC Brasil |

A expectativa é de que os líderes anunciem um plano parecido com o adotado pela Grã-Bretanha no início da semana passada, que prevê a nacionalização parcial dos bancos com dificuldades em troca da garantia de empréstimos intrabancários e créditos de curto prazo.

Antes do encontro em Paris, o ministro das Finanças de Portugal, Fernando Teixeira dos Santos, anunciou um fundo equivalente a cerca de US$ 27 bilhões para garantir a liquidez dos bancos baseados em Portugal.

O ministro português ressaltou que a medida não é um sinal de fragilidade, explicando que ela visa apenas garantir o acesso a liquidez para continuar com o funcionamento normal da economia portuguesa.

Grã-Bretanha

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, conversou com o presidente Sarkozy antes da reunião depois de prometer que a Grã-Bretanha vai "conduzir o caminho" para sair da crise financeira.

Como a Grã-Bretanha não adotou o euro como moeda única, Brown não deve participar de toda conferência dos líderes do bloco neste domingo, mas, de acordo com um porta-voz do governo britânico, Sarkozy teria convidado o premiê para participar de parte do encontro.

Os líderes das quatro maiores economias européias - Grã-Bretanha, França, Alemanha e itália - realizaram a primeira reunião sobre a crise na semana passada, mas estavam divididos em relação a um plano comum.

Analistas dizem que mais uma semana de mercados em queda forçou os líderes a concentrarem seus esforços e o grande teste das decisões deste fim-de-semana ocorrerá na abertura dos mercados, nesta segunda-feira.

Após dois dias de discussões, o governo australiano decidiu garantir todos os depósitos bancários durante três anos.

O primeiro-ministro do país, Kevin Rudd, também disse que seu governo vai garantir um fundo de venda por atacado para bancos australianos numa tentativa de apoiar as instituições financeiras afetadas pela crise.

Os governos da Nova Zelândia e dos Emirados Árabes Unidos também se uniram ao países que resolveram garantir os depósitos bancários neste domingo.

Críticas ao plano

A ministra de Finanças da França, Christine Lagarde, disse que a conferência em Paris vai preencher o "esqueleto" do plano aprovado pelo G7 (o grupo das sete nações mais ricas do mundo) em Washington com "carne e músculos".

As medidas foram bem-vindas, mas todos querem ver ações rápidas para determinar os detalhes do plano, segundo o analista econômico da BBC Andrew Walker.

Neste sábado, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, disse que o sistema financeiro internacional está "à beira do derretimento sistêmico" e criticou a postura do G7, o grupo das sete maiores economias do mundo, em relação à crise.

Kahn criticou o plano apresentado pelos ministros das finanças do G7 após, dizendo que ele não é suficiente para restaurar a confiança dos mercados.

"As preocupações cada vez maiores em relação à solvência de várias das maiores instituições financeiras européias e americanas empurraram o mundo para a beira do derretimento sistêmico", disse Kahn.

O plano lançado pelo G7 tem cinco pontos.

O grupo prometeu ''usar todas as ferramentas possíveis para apoiar sistematicamente importantes instituições financeiras e impedir suas falências'' e ''tomar todos os passos para garantir que bancos e outras instituições financeiras tenham pleno acesso à liquidez e ao financiamento''.

O grupo dos países ricos também destacou a necessidade de ''garantir que os bancos de nações diversas possam, quando necessário, levantar capital de fontes públicas, bem como privadas''.

O quarto ponto de ação foi o de ''assegurar que as garantias dos depósitos sejam robustas e consistentes".

O último ponto foi de se comprometer ''a tomar medidas, quando apropriado, para reativar os mercados secundários de hipotecas, e outros ativos titularizados''.

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