Líderes da Otan se dividem sobre aproximação de Ucrânia e Geórgia ao grupo

Marina Estévez Bucareste, 2 abr (EFE).- A Cúpula de chefes de Estado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) começou hoje com o compromisso francês de enviar mais tropas ao Afeganistão, o que permitirá aliviar parcialmente a atual crise da missão aliada, mas sem conseguir um consenso sobre a aproximação da Ucrânia e da Geórgia ao organismo.

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Os líderes dos 26 países-membros da Otan se mostraram, além disso, unânimes em convidar a Croácia e a Albânia à adesão, e a Grécia foi inflexível em sua recusa à entrada da Macedônia enquanto mantiver este nome, homônimo ao de uma de suas províncias.

No jantar informal que deu início à Cúpula, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou que seu país reforçará as tropas no leste do Afeganistão, o que equivale a cerca de 800 soldados.

Isto permitirá, por sua vez, que os Estados Unidos transfiram soldados para o sul para apoiar os canadenses, que tinham ameaçado abandonar o país caso não obtivesse reforços para a missão, mas que após o compromisso francês aprovaram sua permanência até 2011.

Desta maneira, se fecha em parte a crise gerada pelas reivindicações das nações que lutam nas áreas mais castigadas pelos rebeldes talibãs e pela Al Qaeda.

Já a Espanha não deve fornecer mais soldados, e também não recebeu esta exigência dos EUA, segundo assegurou hoje o ministro de Assuntos Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos.

A jornada começou com uma enérgica chamada do presidente americano, George W. Bush, em favor da ampliação para o leste do Afeganistão e um aumento significativo das tropas no país asiático, já que "a principal prioridade" da Otan deve ser a luta contra a Al Qaeda e outros grupos terroristas.

Bush mostrou-se a favor da inclusão imediata da Ucrânia e da Geórgia dentro do "plano de ação" para a ampliação da Otan.

No entanto, com a oposição de países como Espanha, Alemanha e França, as duas ex-repúblicas soviéticas deverão esperar novas convocações.

Porém, o Plano de Ação para a Adesão à Otan (MAP) para os dois países "não é uma questão de se será possível ou não, mas de quando acontecerá", assegurou o porta-voz oficial da Otan, James Appathurai.

Amanhã, os líderes tentarão dar uma mensagem positiva para os dois países, que acusam Moscou de pressionar os aliados para que não aproximem suas bases às fronteiras russas.

Sobre o problema com a nomenclatura da Macedônia, segundo informa em Atenas a imprensa local, o primeiro-ministro grego, Costas Caramanlis, insistiu hoje no jantar de líderes que "sem solução (ao nome) não há convite" para a adesão da ex-república iugoslava.

Para que seja feito um convite à integração de um país, é necessário consenso no seio da Aliança, algo que não existe no caso da Macedônia, segundo o primeiro-ministro grego.

Caramanlis afirmou que para que Atenas dê seu consentimento, deve ser encontrado um nome de comum aceitação que contenha uma definição geográfica, que seja utilizado por todos e ratificado pelo Conselho de Segurança da ONU.

Amanhã, na Cúpula, deverão ser adotadas todas estas decisões de maneira formal, e se encenará o convite à Croácia e à Albânia, com a entrada de seus chefes de Estado à reunião.

Além disso, na segunda jornada da Cúpula, será realizada uma reunião sobre o Afeganistão, na qual deverá ser cobrado um maior compromisso e colaboração civil para sair de uma situação de violência crescente no país asiático.

Para isso, foi convocada uma conferência em que estarão presentes, entre outros, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, o presidente da Comissão Européia (CE), José Manuel Durão Barroso e o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai.

Os chefes de Estado aprovarão um documento interno de estratégia geral político-militar a médio prazo para favorecer a transição da missão da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) rumo a um papel cada vez mais baseado no apoio material e logístico às forças afegãs.

Um segundo relatório que deverá obter o sinal verde dos líderes explicará os motivos da continuação da presença da Otan no Afeganistão, com ênfase no progressivo aumento da participação das forças locais e na importância do trabalho de reconstrução dirigido pela ONU. EFE met/mac/fb

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