Líderes da Otan aprovarão em Bucareste ampliação do órgão rumo aos Bálcãs

José Manuel Sanz Bruxelas, 1 abr (EFE).- Os líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) darão sinal verde em Bucareste, na cúpula do órgão que será realizada de amanhã até sexta-feira, a um novo processo de ampliação da aliança político-militar, abrangendo os Bálcãs Ocidentais, embora pretendam não irritar a Rússia com uma aproximação relâmpago com relação à Ucrânia e à Geórgia.

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A cúpula de Bucareste, a maior na história da Otan em número de chefes de Estado ou de Governo (60) e de delegados (quase três mil) presentes, marcará uma nova etapa na expansão européia do órgão.

Embora a decisão ainda não tenha sido tomada, espera-se que os 26 Estados-membros convidem formalmente Croácia, Macedônia e Albânia, três países balcânicos, para aderir à aliança, que em 2009 completará 60 anos.

Os Estados-membros se mostraram até agora incapazes de decidir quantos países balcânicos serão convidados a aderir à Otan, e que resposta dar à Ucrânia e à Geórgia, que querem iniciar já seu processo de incorporação.

"Os chefes terão de resolver isso", admitiu nesta segunda-feira à Agência Efe uma porta-voz aliada que ressaltou que as conversas, a estas alturas, são lideradas pessoalmente pelo secretário-geral, o holandês Jaap de Hoop Scheffer, "ao mais alto nível".

Desde o final da Guerra Fria, a aliança político-militar acolheu dez estados da Europa Central e do Leste, ex-integrantes do extinto Pacto de Varsóvia. Em 1999 ingressaram na Otan Polônia, Hungria e República Tcheca, e em 2004 foi a vez de Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e Eslovênia.

Após ter expandido com sucesso sua atuação no Leste da Europa, o órgão pretende agora, em uma ampliação que suscita mais dúvidas, abraçar os Bálcãs Ocidentais com a idéia de encerrar definitivamente o ciclo de violência e instabilidade aberto há 15 anos com a desintegração da antiga Iugoslávia.

Mas se a adesão da Croácia não provoca dores de cabeça, o mesmo não pode ser dito no caso de Albânia e Macedônia.

Analistas asseguram que nenhum desses dois países, que estão entre os mais pobres da Europa, está preparado política ou militarmente para assumir responsabilidades inerentes à adesão.

Um empecilho importante é, ainda, o fato de que a Grécia, integrante da Otan desde 1952, mantém aberta sua disputa com a Macedônia a propósito do nome dessa república que pertencia à ex-Iugoslávia.

Atenas está disposta a vetar a entrada da Macedônia caso não seja anunciada uma solução satisfatória em termos bilaterais. O Governo da Grécia, que se refere a seu vizinho do norte como Fyrom (sigla em inglês para "Antiga República Iugoslava da Macedônia"), considera que o nome sem acompanhamento de "Macedônia" pode alimentar com o passar do tempo reivindicações territoriais sobre sua província setentrional homônima.

Por uma questão de equilíbrio, algumas delegações da Otan falam em um convite à Albânia caso a Macedônia seja finalmente descartada.

Em qualquer caso, o convite de adesão não significa entrada imediata na Otan. Após o convite oficial, que será anunciado nesta quinta-feira, cada um deverá negociar individualmente suas condições de ingresso e cada Estado-membro terá de ratificar a incorporação do novo "aliado".

Dentro da "cúpula balcânica" de Bucareste, os líderes máximos da Otan pretendem aprovar também um reforço paralelo de suas relações com Bósnia-Herzegovina, Montenegro e Sérvia. Os três fazem parte da chamada Associação para a Paz, grupo que representa um primeiro degrau no processo de aproximação com a Otan.

As relações da Sérvia com a aliança político-militar, no entanto, esfriaram desde que Kosovo proclamou sua independência.

Dois países já gozam da chamada condição de "diálogo intensificado" com a Otan. São eles Ucrânia e Geórgia, que devem atrair grande parte das atenções no evento de Bucareste.

As duas ex-repúblicas soviéticas pretendem ingressar na Otan e esperam pela aprovação de "planos de ação" visando à adesão, seguindo os passos de Croácia, Albânia e Macedônia.

Mas, apesar das pressões exercidas a seu favor pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e do apoio de novos aliados como a Polônia, não haverá "planos de ação" para Ucrânia e Geórgia por enquanto, segundo prevêem fontes da Otan.

A chanceler alemã, Angela Merkel, e outros dirigentes de peso no "mundo ocidental" estão convencidos de que este é o melhor momento para se atender às demandas Kiev e Tbilisi.

Há um forte temor quanto à repercussão que o gesto pode ter nas relações com o Kremlin.

A Otan e a Rússia acumularam divergências nos últimos tempos - sobre o Kosovo, o sistema antimísseis americano na Europa e o Tratado sobre Forças Armadas Convencionais da Europa (Face), por exemplo - e os países "veteranos" do órgão multilateral não querem jogar mais lenha na fogueira.

Além disso, o presidente russo interino, Vladimir Putin, já aceitou o convite para viajar a Bucareste. Analistas mais sensatos recomendam que se aproveite a oportunidade de sua saída do cargo para tratar de pôr fim a discordâncias. EFE jms/fr/mh

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