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Sete líderes da Aliança do Povo pela Democracia, da oposição na Tailândia, se entregaram à polícia depois que uma corte de apelações aceitou suspender as acusações de traição contra eles. A Aliança vem liderando os protestos contra o governo, que há quase dois meses paralisam a Tailândia.

Os sete líderes foram libertados sob fiança. Sobre eles pesam diversas acusações, entre elas a de se reunir ilegalmente, o que ainda poderia resultar em penas de três a sete anos de prisão.

A decisão de se entregar e a suspensão das acusações de traição são o primeiro sinal de que a oposição e o governo estariam dispostos a fazer concessões, desde os violentos choques de terça-feira, que deixaram dois mortos e centenas de feridos em uma manifestação do lado de fora do Parlamento.

Os manifestantes continuam a ocupar a área em frente ao Parlamento.

Paz negociada?

Analistas questionam se os movimentos legais podem oferecer um caminho para o fim da instabilidade na Tailândia.

A oposição acusa a polícia de ter usado bombas de gás lacrimogéneo e granada nos choques de terça-feira, o que teria aumentado a simpatia pela Aliança.

A polícia afirma que os manifestantes carregavam bombas de fabricação caseira e causaram os ferimentos por conta própria. Jornalistas e outras testemunhas afirmam que os manifestantes carregavam armas, barras de metal, facões, fogos de artifício e garrafas nos ataques contra a polícia. Vinte agentes ficaram gravemente feridos.

O vice-primeiro-ministro Chavalit Yongchaiyudh, que renunciou depois da violência, disse ao jornal Bangkok Post acreditar que um golpe militar é a única forma de pôr fim ao impasse.

O editorial do jornal ressalta o fracasso do recente governo militar em diminuir as divisões e pede maiores esforços para preservar a democracia.

Thaksin

Os manifestantes da Aliança do Povo pela Democracia querem o fim do governo que, para eles, está ligado ao ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que hoje vive exilado na Grã-Bretanha.

Nos últimos meses, um sistema judiciário mais ativo apresentou várias acusações de corrupção contra Thaksin e sua mulher, Pojaman. O judiciário ainda depôs o aliado de Thaksin, o ex-primeiro-ministro Samak Sundaravej.

Seu sucessor, o atual primeiro-ministro, Somchai Wongsawat, é cunhado de Thaksin e, apesar de seu comportamento calmo, é visto com a desconfiança pelos manifestantes.

A oposição argumenta que a grande base rural de apoio a Thaksin não tem instrução e afirma que o sistema de votação deveria deixar de ser um voto por pessoa, para se tornar um sistema mais controlado de zonas eleitorais profissionais.

Thaksin foi deposto em um golpe, em 2006.