Líderes da ONU reúnem-se para discutir crise dos alimentos

Por Laura MacInnis GENEBRA (Reuters) - O primeiro escalão da Organização das Nações Unidas (ONU) reuniu-se na segunda-feira, na Suíça, a fim de discutir uma solução para a disparada no preço dos alimentos, fenômeno esse responsável por provocar fome, distúrbios e armazenamento de comida no mundo todo.

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O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, convocou os chefes de 27 agências internacionais, entre as quais o Banco Mundial, o Programa Mundial de Alimentação (WFP, na sigla em inglês) e a Organização Mundial do Comércio (OMC) para discutirem uma ação conjunta capaz de minorar a crise global de alimentos.

Autoridades a par das sessões realizadas a portas fechadas disseram que a maior prioridade seria garantir que as doações de comida chegassem aos atingidos pela alta dos preços do trigo, do arroz, dos laticínios e de outros produtos alimentícios.

No entanto, os chefes das agências também devem discutir uma forma de solucionar a crise atual, atribuída por especialistas a vários fatores, entre os quais uma seca que atinge a Austrália, a elevação do preço dos combustíveis, a utilização de terras para produzir biocombustíveis e a especulação nos mercados de commodities.

Keith Rockwell, porta-voz da OMC, afirmou que soluções de médio e longo prazos faziam-se necessárias para reduzir o preço dos alimentos de maneira sustentável.

'Isso significa que teremos de produzir mais alimentos e que precisaremos de um sistema no qual os sinais do mercado sejam captados de forma mais rápida. E precisaremos fazer com que as pessoas que pararam de produzir por vários motivos voltem a produzir.'

Angel Gurria, secretário-geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), também defendeu a realização de esforços para encorajar os agricultores a produzirem mais.

'Um velho ditado do mundo comercial diz que 'a melhor cura para os altos preços são os preços altos'', escreveu Gurria em um artigo publicado pelo International Herald Tribune na sexta-feira.

'Os preços mais altos das commodities devem aumentar a oferta se os governos permitirem que o aumento dos preços seja repassado aos produtores.'

'URGÊNCIA ABSOLUTA'

O Índice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), que mede o preço dos cereais, laticínios, carne, açúcar e óleos comestíveis, ficou 57 por cento maior em março de 2008 quando comparado com a cifra do mesmo mês um ano atrás.

A indignação com tais aumentos gerou protestos, greves e distúrbios em vários países, entre os quais Camarões, Moçambique, Senegal, Haiti, Peru, Bangladesh, Indonésia e Afeganistão.

E os preços mais altos aumentaram as pressões orçamentárias sobre as entidades provedoras de ajuda como o WFP, a agência da ONU que pretende alimentar 73 milhões de pessoas neste ano.

'Esse será o ponto principal a ser tratado em Berna (Suíça) hoje. Trata-se de uma urgência absoluta', afirmou Jean Ziegler, especialista da ONU na área de direitos humanos.

'Se a remessa de comida parar, essas pessoas não possuem outra alternativa', disse Ziegler, referindo-se aos pobres.

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