Os líderes dos países membros do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec, na sigla em inglês) encerraram neste domingo sua reunião de cúpula anual com uma declaração de confiança de que a crise econômica mundial pode ser superada até 2010. Reunidos em Lima, capital do Peru, os presidentes e primeiros-ministros dos 21 países membros da Apec afirmaram que apóiam medidas de estímulo econômico para afastar a ameaça de recessão.

Na declaração final do encontro, divulgada neste domingo, os líderes reafirmam o apoio ao livre comércio e aos planos globais para estimular gastos diante da desaceleração nas taxas de crescimento.

"Estamos convencidos de que podemos superar essa crise em um período de 18 meses", diz o comunicado.

"Nós já adotamos medidas urgentes e extraordinárias para estabilizar nossos setores financeiros e fortalecer o crescimento econômico", disse o presidente do Peru, Alan García, em nome dos delegados presentes na reunião.

"Vamos agir rapidamente e de maneira decisiva para enfrentar a iminente desaceleração econômica global", afirmou.

Doha
A Apec reúne 21 economias - entre elas, Estados Unidos, China, Japão, Canadá e Coréia do Sul - e é responsável por quase 60% do PIB mundial.

Entre os membros da Apec estão nove integrantes do G20, grupo dos países mais ricos do mundo que realizou uma reunião de chefes de Estado no fim de semana passado, em Washington, para discutir a crise global.

No sábado, os líderes presentes na cúpula da Apec divulgaram um comunicado em que ratificaram documento assinado pelos líderes do G20 e se comprometeram a não adotar medidas protecionistas para combater a crise econômica global.

Eles também se comprometeram a buscar um acordo para a conclusão da Rodada Doha de liberalização do comércio mundial e afirmaram que irão enviar ministros a Genebra no próximo mês para tentar retomar as negociações.

As negociações da Rodada Doha, iniciadas há sete anos, fracassaram devido a divergências sobre o nível de abertura em setores de interesse de países ricos e pobres e estão paradas desde julho.

Despedida de Bush
A cúpula da Apec marcou a última viagem de George W. Bush ao Exterior como presidente dos Estados Unidos. Seu substituto, o presidente eleito Barack Obama, assume o poder em 20 de janeiro.

No sábado, Bush foi muito aplaudido ao fazer uma defesa do livre comércio como forma de combater a crise mundial.

O presidente americano aproveitou a cúpula para se despedir de vários líderes. Bush teve encontros com o primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, e com os presidentes da China, Hu Jintao, e da Rússia, Dmitry Medvedev.

Segundo o correspondente da BBC em Lima, Dan Collyns, apesar do tom otimista da declaração final, os líderes da Apec não acreditam que medidas concretas serão tomadas antes da posse do novo presidente americano.

Collyns afirmou que, em meio aos discursos otimistas, alguns líderes foram mais cautelosos.

O presidente do México, Felipe Calderón, disse que a perspectiva de superar a crise econômica é mais uma estimativa que uma certeza.

Para o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, a preocupação é garantir que os pacotes de estímulo fiscal não deixem os países com déficits orçamentários fora de controle.

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