Líderes chineses são demitidos depois de conflitos étnicos

Um líder do Partido Comunista e um chefe da polícia da província chinesa de Xinjiang foram demitidos depois que conflitos étnicos voltaram a sacudir a região nesta semana, informou a agência de notícias estatal Xinhua. Nenhuma razão oficial foi apresentada para as demissões, mas elas ocorreram depois da morte de pelo menos cinco pessoas em novos confrontos entre chineses das etnias uigur e han na capital regional, Urumqi.

BBC Brasil |

Os protestos começaram depois de uma série de ataques com seringas atribuídos aos separatistas da etnia uigur, na sua maioria muçulmanos. Confrontos semelhantes causaram a morte de 197 pessoas na cidade em julho passado.

A Xinhua anunciou primeiro que o chefe do Partido Comunista de Urumqi, Li Zhi, seria substituído por Zhu Hailun, o chefe do comitê de lei e ordem de Xinjiang.

Em outro comunicado, a agência acrescentou que o diretor do Departamento de Segurança Autônomo Regional de Xinjiang, Liu Yaohua, também havia sido afastado.

Os milhares de manifestantes que protestaram nas ruas de Urumqi nos últimos dias vinham pedindo a demissão de Li, acusado de não conseguir manter a segurança pública.

O correspondente da BBC em Urumqi, Michael Britsow, disse que a demissão é incomum, já que demonstra que as autoridades chinesas acreditam que tanto o líder do Partido Comunista regional como o chefe da polícia podem ter cometido erros no modo como tentaram controlar os confrontos.

Segundo Bristow, o fato de o líder do PC de Urumqi ter sido demitido antes que a crise tenha sido resolvida demonstra a seriedade da situação e o quanto as autoridades estão tentando acalmar os chineses da etnia han.

Mas o correspondente da BBC afirma que a demissão pode não ser suficiente, já que os manifestantes também pedem a demissão do líder do Partido Comunista de Xinjiang, Wang Lequan.

Segurança reforçada
A segurança em Urumqi foi reforçada nesta semana, depois que milhares de chineses da etnia han foram às ruas em protesto contra a suposta onda de ataques com seringas.

Em novos protestos neste sábado, chineses da etnia han seguiram para a praça central da cidade, depois de relatos de que três homens da etnia uigur haviam atacado uma criança com seringas.

Imagens do incidente gravadas em vídeo mostram a polícia levando um menino para longe e dispersando a multidão.

O principal oficial de segurança da China, Meng Jianzhu, chegou à cidade na sexta-feira para restabelecer a ordem.

Segundo a agência de notícias Xinhua, ele teria dito que os ataques com seringa são uma continuação dos choques de julho passado em que quase 200 pessoas - na maioria da etnia han - foram mortas em confrontos entre as comunidades.

A população de Xinjiang é igualmente dividida entre uigures e hans - o principal grupo étnico da china. Mas em Urumqi, os hans correspondem a três quartos dos moradores.

A tensão entre as comunidades han e uigur vem crescendo nos últimos anos, mas os choques de julho foram os piores em décadas.

A violência começou depois que grupos de chineses da etnia uigur foram às ruas reclamar de maus tratos, mas os protestos saíram do controle, dando início a vários dias de choques.

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