Líderes católicos europeus manifestam apoio ao papa Bento 16

Por Tom Heneghan PARIS (Reuters) - Líderes católicos da Europa manifestaram nesta sexta-feira apoio ao papa Bento 16, rejeitando as acusações de que ele teria acobertado abusos sexuais do clero e elogiando-o por sua determinação em combater escândalos na Igreja.

Reuters |

A conferência episcopal francesa, o arcebispo de Londres e a arquidiocese de Munique, da qual Bento 16 já foi o titular, rejeitaram as acusações veiculadas pela imprensa, um dia depois de o Vaticano reagir com irritação à "tentativa ignóbil" de difamá-lo.

Também nesta sexta-feira, o bispo Adrianus van Luyn, presidente da conferência episcopal holandesa, admitiu que soube há três décadas de casos de abusos que foram revelados no mês passado. Mais de 1.100 pessoas já denunciaram casos por meio de uma linha telefônica especial.

Em Roma, uma influente ordem eclesiástica pediu desculpas pelo comportamento de seu fundador, o falecido reverendo Marcial Maciel, que teve pelo menos um filho com uma vítima de abusos.

Em nota dirigida ao papa, a conferência episcopal francesa citou uma "campanha para atacar sua pessoa e seu serviço à Igreja" em meio a um "período difícil em que a Igreja atravessa."

Em artigo no jornal The Times, o arcebispo Vincent Nichols disse que Bento 16 fez importantes mudanças na lei eclesiástica para combater o abuso contra crianças, na época em que era a principal autoridade doutrinária da Igreja.

"Ele não é um observador isento. Suas ações falam tão bem quanto as suas palavras", escreveu ele.

Tanto Nichols quanto os bispos franceses manifestaram solidariedade com as vítimas de abusos e disseram que suas igrejas nacionais tomaram medidas decisivas para erradicar os transgressores e proteger as crianças.

"Estou envergonhado do que aconteceu e entendo o ultraje e a raiva que provocou", escreveu Nichols.

"Todos nós sentimos vergonha e lamentamos os atos abomináveis cometidos por certos padres", afirmou a nota francesa.

A arquidiocese de Munique, dirigida por Bento 16 entre 1977 e 1982, negou o teor de uma reportagem do The New York Times, segundo a qual o hoje pontífice foi informado de que um padre que estava em terapia por ser pedófilo havia sido transferido para um posto em que teria contato com crianças.

"Mantemos nosso relato de que o cardeal Ratzinger (Bento 16) não sabia dessa decisão", disse Bernard Kellner à Reuters. "Não posso confirmar que ele sabia disso."

O Times disse que Ratzinger teria recebido uma cópia de um memorando sobre a transferência do padre Peter Hullermann, que foi condenado seis anos depois por molestar um menino, mas permaneceu ativo como clérigo até ser identificado na atual onda de escândalos.

"Um arcebispo não lê todos os atos administrativos. Ele simplesmente não consegue. Por isso ele tem um vigário-geral", acrescentou Kellner.

O então vigário-geral Gerhard Gruber assumiu neste mês total responsabilidade pela transferência equivocada de Hullermann.

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