Líderes árabes tentam unir posições após Gaza

Kuwait, 19 jan (EFE).- Os chefes de Estado árabes tentam que a Cúpula Econômica da Liga Árabe, aberta hoje no Kuwait, sirva para adotar uma estratégia comum sobre os ataques israelenses em Gaza que contribua para resolver as notáveis diferenças demonstradas nas últimas semanas.

EFE |

Nos discursos da sessão inaugural da cúpula, que terminada amanhã, terça-feira, a maioria dos dirigentes árabes enfatizou a necessidade de adotar uma estratégia comum, em todos os âmbitos e, em particular, no caso de Gaza, onde, após quatro semanas de intervenção, militar israelense 1.310 pessoas morreram e mais de 5.000 ficaram feridas.

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, afirmou que a situação em Gaza pede uma solução "prática e justa" que sirva para evitar a morte de pessoas, além de um simples comunicado de condenação à intervenção israelense, encerrada no sábado passado com um cessar-fogo.

Em princípio, o cessar-fogo foi rejeitado e, depois, aceito com reservas pelo grupo islamita Hamas, que controla a Faixa desde junho de 2007.

Mubarak pediu unidade e ressaltou que "os países árabes precisam ficar unidos, ser sinceros e fazer o que querem dizer".

O presidente egípcio expressou seu respeito à resistência palestina e indicou que o povo palestino "tem o direito a combater a ocupação", enquanto assinalou que o Egito seguirá trabalhando pela reconciliação entre as facções palestinas.

Como influente representante da "linha dura", o presidente sírio, Bashar al-Assad, afirmou que a trégua em Gaza não significa o fim da violência e pediu aos estados árabes que chamem Israel de "entidade terrorista".

Al-Assad, quem presidiu a sessão inaugural da cúpula, afirmou que embora tenha se estabelecido cessar-fogo em Gaza, o fim da violência não está garantido enquanto as tropas israelenses permanecerem por lá.

O presidente sírio pediu aos palestinos que superem suas divisões internas, que, disse, "são um reflexo das divisões que afetam aos árabes".

"Já que as circunstâncias transformaram esta cúpula em reunião de caráter mais político do que econômico, esperemos, então, que daqui saiam decisões e não meros compromissos", manifestou o presidente sírio.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, pediu às diversas facções palestinas que superem as "diferenças internas" e a realizar uma reunião conjunta com a mediação do Egito.

Em seu discurso, Abbas disse que "se o derramamento de sangue em Gaza não é suficiente para que resolvamos nossas diferenças e nos sentemos para nos falar, então não sei que pode sê-lo".

"Espero que os árabes sejam capazes de eliminar suas diferenças e entrarem em acordo para adotar uma posição comum sobre o que se deve fazer, em vez de se dividir por coisas impossíveis", disse o presidente.

Abbas afirmou que o conflito palestino-israelense deixa três opções: "nem guerra nem paz; guerra, ou paz. Isto é o que há".

Arábia Saudita e Kuwait também anunciaram doações econômicas de urgência, a fim de atenuar os efeitos de quatro semanas de atividade bélica em Gaza.

O rei Abdullah bin Abdul Aziz da Arábia Saudita anunciou uma doação de US$ 1 bilhão para a reconstrução de Gaza, enquanto criticou duramente Israel e pediu a reconciliação entre os árabes para enfrentar esta situação.

O emir do Kuwait, Sabah al Ahmed Al-Sabah, anunciou a doação de US$ 34 milhões destinados à Agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA) a fim de atender as necessidades mais imediatas em Gaza.

No discurso inaugural da cúpula, o emir do Kuwait afirmou que os responsáveis israelenses deveriam ser castigados pela comunidade internacional pela "grande violação aos direitos humanos" da população de Gaza.

Por outro lado, o rei da Arábia Saudita, o presidente egípcio e o rei Abdullah da Jordânia se reuniram hoje com seus colegas de Síria, Bashar al-Assad; Catar, Hamad Ben Khalifa al Tani; e o rei de Barein, Hamad bin Issa al-Khalifa, para tentar superar as diferenças surgidas durante a crise de Gaza, informou a cadeia de TV "Al Jazira".

Esta é a primeira vez em que os governantes de Egito, Jordânia e Síria coincidem em uma reunião, desde a guerra de Israel em solo libanês contra o grupo xiita Hisbolá, em julho e agosto de 2006.

A intervenção israelense em Gaza voltou a inflamar os ânimos destes dirigentes, que expressaram uma clara divisão de critérios que agora tratam de superar na cúpula do Kuwait. EFE fpa/jp

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