Líderes árabes apoiam Bashir e defendem reconciliação árabe

(atualiza com novas declarações e dados). Jorge Fuentelsaz. Doha, 30 mar (EFE).- Os líderes árabes reunidos hoje, em Doha, apostaram na resolução das profundas diferenças que os separam e cerraram fileiras em torno do presidente sudanês, Omar al-Bashir, contra quem o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu uma ordem de detenção.

EFE |

Além disso, os líderes insistiram na necessidade de avançar em direção à reconciliação árabe.

Na declaração final da 21ª cúpula da Liga Árabe, anunciada hoje, os líderes mostraram sua rejeição à ordem de detenção contra Bashir anunciada em 4 de março pelo TPI, por supostos crimes de guerra e de lesa-humanidade no conflito armado de Darfur.

"Respaldamos o Sudão em tudo o que possa afetar sua integridade, unidade e estabilidade", diz a declaração, que, posteriormente, em uma breve mensagem, foi recebida com agradecimento pelo presidente sudanês, centro hoje de todas as atenções.

Este apoio também se traduzirá em uma ajuda ao desenvolvimento de US$ 8 milhões mensais que serão entregues ao Sudão este ano, segundo anunciou o secretário-geral da Liga Árabe, Amre Moussa, em entrevista coletiva após o encerramento da cúpula.

Na reunião, que terminou na noite desta segunda-feira, em vez de amanhã, como previsto, as divergências entre os árabes tiveram um papel de destaque.

Um bate-boca durante a inauguração das sessões entre o presidente líbio, Muammar Kadafi, e o rei saudita, Abdullah bin Abdul Aziz, que acabou em uma reconciliação amistosa, se transformou no símbolo do espírito do encontro.

Durante uma recente cúpula econômica árabe realizada no Kuwait, houve uma aproximação entre Síria e Arábia Saudita, como explicou Moussa aos jornalistas, e hoje a Arábia Saudita e a Líbia abriram um novo capítulo em suas relações.

Muitos esperam que agora sejam Egito, que enviou uma representação de baixo nível à cúpula, e Catar, o anfitrião, que resolvam suas divergências, que, para o secretário da Liga Árabe, não são grandes, e sim fruto de pontos de vista diferentes.

Os desencontros árabes, que sempre caracterizaram as relações entre estes países, intensificaram-se desta vez em janeiro, durante a ofensiva militar israelense de 22 dias contra a Faixa de Gaza, na qual 1,4 mil palestinos morreram.

Esta brecha - que foi aberta entre os Estados "moderados", com Egito e Arábia Saudita à frente, e os "radicais", representados pela Síria e, em menor medida, pelo Catar - ficou refletida na ausência de representantes egípcios de alto nível na reunião de hoje.

No comunicado final lido hoje, os chefes de Estado e de Governo, além de prometer resolver, "de uma forma construtiva", as diferenças que separam os países árabes, condenaram também a recente "brutal agressão" israelense contra a Faixa de Gaza.

O documento insistiu na necessidade de apoiar "os esforços árabes para conseguir a reconciliação entre as diferentes forças" palestinas.

"Pedimos a todas as facções para responder a esses esforços para alcançar a reconciliação nacional e garantir a unidade política e geográfica dos territórios palestinos", diz o texto.

Além disso, os governantes reunidos fizeram um apelo para "levantar o injusto bloqueio" sofrido pela Faixa de Gaza desde junho de 2007, e criticaram em duros termos Israel pelo dano aos civis na ofensiva militar de dezembro e janeiro.

"Pedimos à comunidade mundial para perseguir os responsáveis destes crimes e apresentá-los perante os tribunais internacionais", diz a declaração.

Por outro lado, os líderes pediram à comunidade internacional para fazer gestões a fim de que o Oriente Médio seja uma região livre de armas nucleares, para "consolidar a paz e a estabilidade".

A Liga Árabe pediu uma inspeção internacional das instalações nucleares israelenses, e também disse que as nações da região têm direito a adquirir a tecnologia necessária para desenvolver um programa nuclear com fins pacíficos.

A 22ª cúpula da Liga Árabe ocorrerá no ano que vem na Líbia.

Embora o Iraque tenha se oferecido para receber o encontro, o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, disse na sessão de fechamento que o país ainda não estava preparado e pediu mais tempo.

EFE jfu/db

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