Harare, 27 out (EFE).- Os chefes de Estado de África do Sul, Angola e Moçambique se reuniram hoje no Zimbábue para encontrar uma saída para a crise política deste país e tentar fazer com que o presidente, Robert Mugabe, e o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, formem o Governo de união nacional que acordaram há seis semanas.

Os presidentes Kgalema Motlanthe, da África do Sul, José Eduardo dos Santos, de Angola, e Armando Geubuza, de Moçambique, junto ao ex-chefe de Estado sul-africano e mediador nas negociações, Thabo Mbeki, buscarão o modo de repartir o Governo entre os seguidores de Mugabe e Tsvangirai.

Cerca de 50 pessoas foram detidas hoje em Harare quando tentavam chegar ao hotel onde estão reunidos os governantes.

Thabani Moyo, porta-voz da coalizão sobre a crise no Zimbábue, de defesa aos direitos humanos, acusou a Polícia de agir com violência contra os manifestantes que pretendiam protestar em frente ao hotel e de ter prendido a metade deles.

Desde a assinatura do pacto para formar um Governo de união nacional, em 15 de setembro em Harare, as duas partes não chegaram a um acordo sobre a distribuição dos ministérios, já que a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), de Mugabe, quis ocupar o maior número e as principais pastas.

O Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), cuja parte majoritária é liderada por Tsvangirai - e a minoritária por Mutambara -, não admitiu as pretensões da Zanu-PF.

A principal divergência ocorreu sobre o controle do Ministério do Interior, que, segundo o acordo de setembro, devia ficar nas mãos do MDC, mas que a Zanu-PF se empenhou em ocupar.

Ontem, em um comício perante seus seguidores, Tsvangirai, que deve ocupar o cargo de primeiro-ministro executivo, disse que "não deve haver apenas uma esperança de poder compartilhado (com Mugabe), mas que deve ser real".

Mugabe está no poder desde 1980, quando Zimbábue obteve a independência do Reino Unido.

Segundo o acordo de setembro, Mugabe seguiria como presidente; Tsvangirai seria primeiro-ministro; Mutambara ficaria com o cargo de vice-primeiro-ministro, com um Governo de 31 ministérios, dos quais 15 seriam para a Zanu-PF, 13 para a facção majoritária do MDC e três para a minoritária.

No novo Governo, Mugabe ficaria com a Chefia das Forças Armadas, enquanto Tsvangirai supervisionaria o Gabinete, além de comandar a pasta do Interior. EFE sk/rb/db

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