Líderes africanos pedem cessar-fogo no Congo

Líderes africanos reunidos em Nairóbi, capital do Quênia, pediram um cessar-fogo imediato nos conflitos da República Democrática do Congo e solicitaram mais poderes às tropas de paz da ONU para que elas possam controlar a crise no país. Eles também pediram a criação de um corredor humanitário para que ajuda possa chegar às milhares de pessoas que foram obrigadas a sair de suas casa por causa dos combates entre os rebeldes de general Laurent Nkunda e tropas governistas.

BBC Brasil |

O ministro das Relações Exteriores do Quênia, Moses Wetangula, leu um comunicado após o encontro onde pede que o mandato das tropas de paz da ONU seja reformado para permitir que elas consigam controlar os conflitos.

Os líderes africanos também pediram que os grupos rebeldes da região sejam desarmados.

Estavam presentes na reunião sete presidentes de países da região, entre eles Joseph Kabila, presidente da República Democrática do Congo e o líder Ruandês Paul Kagame. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon também participou do encontro.

Morte de civis
Novos confrontos entre tropas do governo e rebeldes liderados pelo general Laurent Nkunda estouraram nesta sexta-feira no norte da cidade de Goma, no leste do país.

Milhares de pessoas fugiram de um campo de refugiados na cidade de Kibati, que fica nas proximidades, por causa dos conflitos. A ONU usou helicópteros para tentar conter a violência.

Depois de um acordo em janeiro, os conflitos voltaram tomar a República Democrática do Congo em agosto.

O governo congolês e organizações humanitárias acusam as tropas da ONU de falharem em evitar o assassinato de civis no leste do país.

Segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, os conflitos interromperam a distribuição de ajuda humanitária na cidade.

Madnoje Mounoubai, porta-voz das Nações Unidas na República Democrática do Congo, afirmou à BBC que as tropas de paz estão fazendo o possível para ajudar os civis, mas que eles não podem atirar contra os rebeldes quando eles estão cercados de pessoas.

"Você não pode atirar quando há civis correndo por todas as partes na estrada. Se você começar atirar, pode matar muitos civis", disse.

A situação no país é descrita como uma "catástrofe humanitária" e cerca de 250 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas por causa do conflito.

A ONU mantém cerca de 17 mil soldados no Congo, na maior missão da organização no mundo.

Mas apenas poucos soldados das Nações Unidas estão na área dos recentes conflitos.

As Nações Unidas investigam relatos de que rebeldes da República Democrática do Congo teriam matado civis na cidade de Kiwanja, no leste do país.

Pelo menos 12 corpos foram encontrados por soldados da ONU e jornalistas na cidade, tomada pelos rebeldes liderados pelo general Laurent Nkunda no início desta semana.

Conflito internacional
Ainda nesta sexta-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon afirmou que o conflito pode se espalhar por outros países da região.

Segundo oficiais uruguaios que trabalham nas tropas de paz, soldados angolanos estariam ajudando o governo a combater os rebeldes, em mais um sinal de que o conflito pode ter consequências regionais.

Segundo os oficiais, os soldados teriam chegado ao país há quarto dias.

Duas testemunhas confirmaram à BBC que soldados angolanos foram vistos na área de combate.

Tanto Angola quanto o Zimbábue ajudaram a República Democrática do Congo com tropas durante a Guerra entre 1998 e 2003.

O governo do Congo acusa Ruanda de apoiar o general Nkunda com tropas e artilharia pesada.

Ruanda nega essas acusações, apesar de ter invadido o Congo duas vezes nos últimos anos. O governo ruandês, por sua vez, acusa o Congo de apoiar rebeldes hutus em seu país.

Ajuda
Os mais recentes confrontos fizeram com que algumas agências de ajuda humanitária suspendessem operações na região, um dia depois de enviar os primeiros suprimentos de alimentos ao território controlado pelos rebeldes.

A ONU diz que três campos de refugiados perto da cidade de Rutshuru foram destruídos e que tenta descobrir o paradeiro de 50 mil pessoas que estavam nos locais.

A organização britânica Save the Children diz que houve um aumento acentuado no número de crianças sendo seqüestradas para lutar ao lado dos rebeldes. Antes da atual onda de violência, havia cerca de 3 mil crianças-soldados no país.

O general Nkunda ameaça derrubar o governo da República Democrática do Congo em Kinshasa, 1.580 km a oeste de Goma, a menos que o presidente Joseph Kabila concorde com negociações diretas.

Segundo o correspondente da BBC em Nairóbi, Mark Doyle, além do conflito étnico entre hutus e tutsis, um dos fatores que mantém o confronto são os interesses econômicos.

A República Democrática do Congo é extremamente rica em reservas de cobre, diamante e ouro.

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