Líderes africanos fracassam mais uma vez na busca de acordo no Zimbábue

HARARE - Os chefes de Estado de África do Sul, Suazilândia, Angola e Moçambique fracassaram mais uma vez na busca de um acordo para a formação de um Governo de união nacional no Zimbábue, na reunião que tiveram até a madrugada em Harare com representantes dos partidos do país.

EFE |

A governista União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e o oposicionista Movimento por Mudança Democrática (MDC), liderada por Morgan Tsvangirai, não chegaram a um acordo sobre o Gabinete pactuado há seis semanas, informaram hoje fontes dos dois partidos.

O rei da Suazilândia, Mswati III; os presidentes da África do Sul, Kgalema Motlanthe; de Angola, José Eduardo dos Santos; e de Moçambique, Armando Guebuza; e o ex-presidente sul-africano e mediador nas negociações, Thabo Mbeki, não conseguiram pôr a Zanu-PF e o MDC em acordo.

Sem sucesso

O secretário-geral do MDC, Tendai Biti, disse hoje aos jornalistas que "não aconteceu nenhum tipo de progresso" nas conversas, nas quais intervieram os governantes dos países-membros do conselho de Defesa e Segurança da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, em inglês).

AP

Ditador do Zimbábue, Robert Mugabe

Nas conversas, que duraram 13 horas, o único acordo fechado foi a realização de uma cúpula que contará com a participação dos 15 chefes de Estado e de Governo da SADC, com o exclusivo objetivo de tentar desbloquear as negociações.

As diferenças essenciais para a formação do Governo estão na distribuição dos Ministérios de Finanças, Interior (que controla a Polícia) e Justiça, segundo os próprios partidos.

"Durante esta reunião extraordinária, foi recomendada a realização de uma cúpula com a presença de todos os membros (da SADC) para revisar a situação política no Zimbábue com caráter de urgência", disse à imprensa o secretário-geral da SADC, Tomaz Salomão.

Em comunicado conjunto dos governantes presentes à reunião, destacam que vêem "com preocupação os desacordos que existem entre as duas partes quanto à alocação dos diferentes ministérios" e pedem que "os partidos envolvidos a cheguem a um acordo".

Os membros do conselho de Defesa e Segurança da SADC também instaram os adversários políticos a se comprometerem na busca de uma solução, pois "o povo do Zimbábue enfrenta graves problemas que podem ser resolvidos somente depois da formação do Governo de unidade", disse a nota.

Embora Tsvangirai tenha expressado sua satisfação perante a possibilidade da realização da cúpula na qual estariam presentes todos os integrantes da SADC, o Zanu-PF não apoiou a iniciativa, já que os dois partidos deveriam ser capazes de desbloquear a situação sem a ajuda de mais intermediários.

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