Lusaka, 12 abr (EFE).- Chefes de Estado e de Governo de países do sul da África começaram hoje uma cúpula extraordinária para discutir o que oficialmente foi descrito como o ponto morto da situação política no Zimbábue, após as recentes eleições.

Entre as ausências está a do atual presidente zimbabuano, Robert Mugabe, que enviou uma delegação ministerial. Segundo fontes oficiais, Mugabe não foi à reunião porque o Governo não acha que há uma crise no país.

Pelo contrário, foi à cúpula o dirigente da oposição do Zimbábue Morgan Tsvangirai, líder do Movimento para a Mudança Democrática (MDC) e que reivindica a vitória nas eleições de 29 de março.

A cúpula da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, em inglês), formada por 14 países da região, acontece duas semanas depois das eleições presidenciais no Zimbábue, das quais ainda não há resultados.

Na abertura da cúpula, o presidente rotativo da SADC e chefe de Estado da Zâmbia, Levy Mwanawasa, disse que a reunião ocorre porque "parece que há um ponto morto na política do Zimbábue, depois das eleições de duas semanas atrás".

"A África austral não pode ignorar a crise registrada no Zimbábue", disse Mwanawasa, que esclareceu, no entanto, que os governantes da região não estão tentando colocar Mugabe "no banco dos réus".

"A SADC não pode permanecer em atitude passiva quando um de seus membros enfrenta uma situação política e econômica dolorosa. Seria um erro dar as costas a um de nossos vizinhos em crise", acrescentou o dirigente.

Mwanawasa ressaltou que o atraso em saber os dados da apuração está criando ansiedade e tensões no Zimbábue, mas pediu que todas as partes, tanto do Governo quanto da oposição, "dêem provas de humildade".

No discurso de abertura, Mwanawasa pediu aos líderes reunidos que abordem os problemas do Zimbábue de uma forma livre, para que, no final da cúpula - programada para esta noite - haja uma postura comum sobre o problema.

A reunião acontece a portas fechadas e, ao final, será divulgado um comunicado. EFE mc/an

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