Líderes abrem cúpula anual do G8 em meio à polêmica sobre ampliação do grupo

Patricia Souza Toyako (Japão), 7 jul (EFE).- Os líderes do Grupo dos Oito (G8, grupo dos sete países mais ricos do mundo e a Rússia) abriram hoje sua cúpula anual, em uma chuvosa ilha de Hokkaido (Japão), em meio a divergências quanto a uma eventual inclusão das economias emergentes neste seleto clube de países, como propõe o presidente francês, Nicolas Sarkozy.

EFE |

O primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, deu as boas-vindas em um luxuoso hotel de Toyako a seus parceiros de Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Rússia, França, Canadá e Itália - que somam 58% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial -, e a mais sete líderes africanos.

Esta é a maior cúpula do G8 desde 1975, pois receberá até quarta-feira líderes de 22 países: seus oito membros, sete economias emergentes e sete nações pobres, que querem que os mais ricos mantenham suas promessas de ajuda ao desenvolvimento.

Em plena crise econômica, o G8 dedicou sua primeira jornada de reuniões ao desenvolvimento da África, diante do objetivo japonês de avançar no cumprimento das metas da ONU para 2015, embora previamente tenha havido certa polêmica nos corredores.

França e EUA discordaram publicamente sobre a opção de abrir as porta do grupo às economias emergentes, como a China, quarto PIB do mundo, devido a seu crescente peso contra o que é exercido, entre outras nações, pela Rússia.

Em entrevista publicada hoje pelo jornal japonês "Yomiuri Shimbun", Sarkozy defendeu que o G8 precisa se transformar em G13, com a soma das cinco economias emergentes que atualmente formam o chamado Grupo dos Cinco (Brasil, Índia, China, México e África do Sul), que possibilitariam a tomada de decisões "com justiça".

O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, apóia essa idéia, pois acredita que países como a Índia "devem estar representados na nova ordem".

Mas EUA e Japão, primeira e segunda economias do mundo, ameaçadas pelo crescente poderio chinês, não concordam, e expressaram sua oposição durante a reunião, realizada em um isolado enclave do norte japonês.

Um porta-voz do Governo dos EUA expressou hoje à Agência Efe sua oposição à idéia de Sarkozy, por considerá-la "desnecessária".

Segundo o representante americano, o sistema atual "permite a incorporação de outros países" sem a necessidade de alterar o formato do G8.

Yasuo Fukuda também assinalou não acreditar que este seja o momento para uma expansão deste fórum de países.

"Esta cúpula oferece uma oportunidade valiosa e significativa para que um limitado número de países assuma uma grande responsabilidade na sociedade internacional, a fim de intercambiar opiniões de forma franca", apontou o primeiro-ministro japonês.

O Japão é o único país asiático membro do G8, e não quer ver a China muito perto, segundo analistas citados pela imprensa japonesa.

O poderoso clube de países reunido em Hokkaido foi criado em 1975, após a crise do petróleo, com seis membros. No ano seguinte o Canadá foi incorporado e, em 1997, a Rússia. Na época, as oito nações acumulavam 65% do PIB mundial.

Atualmente, o grupo representa 58% do PIB mundial, e é responsável por 60% das emissões de gases que produzem o efeito estufa.

Embora os EUA não queiram a ampliação do G8, o país defende neste fórum que as duas economias asiáticas emergentes, Índia e China, sejam inseridas em um acordo vinculativo para reduzir as emissões de CO2 na atmosfera.

O Japão, um dos grandes emissores de gases poluentes que reduziu drasticamente sua ajuda ao desenvolvimento, se esforça para conseguir um acordo que lhe permita mostrar esta cúpula como um "sucesso", enquanto ativistas temem um retrocesso em relação aos encontros realizados em anos anteriores.

Um porta-voz da ONG Oxfam disse à Efe que, se finalmente forem publicados os comunicados sobre mudança climática e ajuda ao desenvolvimento, o resultado da cúpula de Hokkaido será "um considerável corte" em relação às promessas realizadas em 2005, em Gleneagles, e 2007, em Heiligendamm. EFE psh/fh/gs

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