Liderada por Brasil, A.Latina vai à ONU em busca de mudanças

Nações Unidas, 21 set (EFE).- Com um discurso de mudança, o Brasil abrirá nesta quarta-feira o debate na Assembleia Geral da ONU e deve comandar o bloco latino-americano e suas reivindicações nesse fórum, que reúne 192 países.

EFE |

Em setembro do ano passado, em plena eclosão da crise financeira nos Estados Unidos, os representantes latino-americanos lançaram um ataque coordenado contra o que chamaram de imprudência financeira dos países ricos.

Agora, com os primeiros sintomas de recuperação nas economias maiores, entre elas a brasileira, a América Latina lançará uma ofensiva para exigir mudanças nas instituições mundiais e novas regras que atribuam um papel mais ativo do Estado no controle dos excessos financeiros.

Em paralelo à Assembleia Geral da ONU em Nova York, na quinta e na sexta-feira se reunirá em Pittsburgh (EUA) o G20 - bloco dos países mais e dos principais emergentes - com a participação do Brasil, para analisar a reforma do sistema financeiro internacional e medidas para vencer a crise.

O Brasil quer há uma década um posto permanente no Conselho de Segurança da ONU, o mais importante órgão de decisão das Nações Unidas e no qual só estão desde sua criação, em 1946, EUA, Rússia, China, França e Reino Unido.

Para isso, o Brasil esgrime sua liderança política, econômica e militar.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, é esperado na quinta-feira na ONU após dois anos de ausência. Em sua última e sonora intervenção, em 2006, chamou o então líder americano, George W. Bush, de "diabo".

É a primeira vez que os países latino-americanos se encontrarão frente a frente com o presidente dos EUA, Barack Obama, desde que, em agosto passado, se iniciou a polêmica sobre o acordo de uso de bases colombianas por militares americanos.

Muitos líderes consideram o acordo uma ameaça para a estabilidade regional e solicitaram a Obama uma reunião à margem da Assembleia da ONU com a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), para pedir garantias.

A maioria dos governantes latino-americanos confirma sua presença em Nova York. No caso de Cuba, ainda não foi anunciado se o presidente Raúl Castro estará presente.

Lula, Obama e o ditador líbio, Muammar Kadafi, serão os três primeiros oradores no debate de quarta-feira.

No mesmo dia discursarão os líderes de Uruguai, Chile, Argentina, Colômbia, Honduras, El Salvador, República Dominicana e Nicarágua.

Para a presidente do Chile, Michelle Bachelet, que falará sobre a mudança climática, será sua última participação no fórum, já que após as eleições, em março, deixará o Governo.

À margem da Assembleia Geral, acontecerá uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, presidida por Obama, dedicada ao desarmamento e à não-proliferação de armas nucleares.

A ONU será também o palco do primeiro encontro entre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, para retomar o processo de paz, estagnado após a autorização de novos assentamentos judaicos na Cisjordânia.

Deve acontecer também uma série de reuniões nesta semana que servirão para aproximar posturas sobre assuntos da atualidade internacional.

Os chanceleres de Equador e Colômbia devem se reunir em Nova York, para estabelecer um caminho que leve ao restabelecimento de relações, rompidas desde março de 2008. EFE va/rr

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