Líder xiita convoca multidão contra pacto de segurança entre Iraque e EUA

Bagdá, 18 out (EFE).- O clérigo radical xiita Moqtada al-Sadr pediu hoje, através de um comunicado lido diante de dezenas de milhares de seus partidários, que o Parlamento do Iraque rejeite o acordo de segurança que as autoridades iraquianas e americanas estão negociando.

EFE |

O texto foi lido pelo xeque Abdul-Hadi al-Mohammadawi, um dos colaboradores de Sadr, em discurso diante de uma grande multidão que se concentrou desde o início da manhã em Bagdá, da qual participaram dezenas de milhares de pessoas do grupo de Sadr, destacado por sua retórica e posturas antiamericanas.

"Esta é uma mensagem para vocês, irmãos do Parlamento. O Governo iraquiano renunciou a suas obrigações ao enviar este pacto à casa do povo iraquiano (Congresso). É uma vergonha os governantes assinarem um acordo assim", declarou o xeque.

Além disso, Sadr afirmou em seu discurso que é "um mentiroso quem diz que o acordo acabará com a ocupação (militar americana) no país ou que devolverá a soberania ao Iraque. O ocupante permanecerá em suas bases e mente quem diz que (o pacto) devolverá a soberania".

O pacto tem como propósito definir o futuro a longo prazo da presença das forças americanas no país a partir do final deste ano, quando expira o mandato outorgado pela ONU aos Estados Unidos para permanecer no Iraque.

Uma das questões mais delicadas gira em torno dos privilégios dos soldados e membros dos serviços de segurança privados dos EUA posicionados no Iraque.

"Saia já ocupante", dizia um cartaz visto na manifestação convocada pelo grupo xiita, na qual os participantes gritavam palavras de ordem como "Saia, saia, ocupante, Não, não aos EUA. Não, não ao Satã".

Durante a manifestação foram queimados dois bonecos que representavam o presidente dos EUA, George W. Bush, e a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice.

Segundo fontes policiais consultadas pela Agência Efe, o protesto começou em Cidade de Sadr, o principal bastião deste grupo em Bagdá.

"Milhares de pessoas participam da manifestação para exigir o fim da ocupação americana do Iraque e expressar sua rejeição ao acordo de segurança a longo prazo que deve ser assinado por Iraque e EUA", disse à Efe a fonte, que preferiu não se identificar.

Além disso, disse que os manifestantes se reuniram na Praça Mustansiriya, na Rua Palestina, no centro de Bagdá, onde desfraldaram bandeiras iraquianas e cartazes nos quais expressavam sua rejeição aos EUA e ao acordo.

"Vim da cidade de Samarra (120 quilômetros ao norte de Bagdá) para participar desta manifestação que mostra o consenso do Iraque em seu desejo de que as tropas americanas de ocupação deixem o país", declarou à Efe um cidadão que se identificou como Ibrahim Nazami.

Nazami acrescentou que esta mobilização "representa uma posição patriótica. Todos a apoiamos, pois precisamos de uma postura unificada especialmente no que se refere a assuntos cruciais como a libertação do país".

Neste sentido, afirmou que árabes e curdos participam da manifestação, além de representantes de todas as comunidades étnicas e religiosas iraquianos.

Fontes da Polícia disseram que grupos de outros bairros de Bagdá e províncias aderiram à manifestação.

Membros das forças de segurança e dos serviços de proteção civil acompanharam de perto os manifestantes para qualquer emergência.

Analistas locais consideram que, com esta mobilização, Sadr tenta demonstrar o poder de convocação que tem entre a população iraquiana e aproveitar o ambiente de rejeição popular à presença militar americana e ao pacto de segurança negociado entre Washington e Bagdá. EFE am/wr/fal

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