O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, afirmou nesta sexta-feira que o Irã não está desenvolvendo armas nucleares, um dia depois de a http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2010/02/18/aiea+teme+que+ira+esteja+preparando+ogiva+nuclear+9401863.html target=_topagência da ONU ter afirmado temer que Teerã possa desenvolver uma carga nuclear que pode ser usada em mísseis.

"As acusações do Ocidente são infundadas, porque nossas crenças religiosas nos impedem de usar essas armas... nós não acreditamos em armas nucleares e não estamos atrás disso", afirmou, segundo a TV estatal.

Acusação da ONU

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) está preocupada com uma atual atividade no Irã para possivelmente desenvolver uma ogiva nuclear para um míssil, indicou a agência da ONU em um relatório confidencial obtido pelas agências Reuters e AFP na quinta-feira. 

"A informação de que dispomos destaca a existência potencial de atividades secretas passadas ou presentes do Irã ligadas ao desenvolvimento de uma carga nuclear para um míssil", informou o diretor-geral da agência da ONU, Yukiya Amano, em seu primeiro relatório dirigido ao Conselho de Governadores da AIEA. Amano é considerado mais inclinado a confrontar o Irã do que seu antecessor, Mohamed ElBaradei.

O documento também confirma que o Irã produziu seu primeiro lote, porém pequeno, de urânio enriquecido a 20%. Até então, o país enriquecia urânio apenas até 3,5%. "O Irã forneceu à AIEA resultados que indicam que obteve um nível de enriquecimento de 19,8%", diz o documento. Esse processo começou à revelia, sem que fosse aguardada a presença dos inspetores da AIEA, diz o texto.

O enriquecimento foi realizado em Natanz, a principal usina de enriquecimento de urânio iraniana, entre os dias 9 e 11 deste mês, disse Amano.


Ahmadinejad discursa no dia 11 de fevereiro em Teerã / Reuters

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou em 7 de fevereiro que o país iniciaria o enriquecimento de urânio a 20% . Em discurso no dia 11, quando se completaram 31 anos da Revolução Islâmica, Ahmadinejad afirmou que o Irã se tornou uma "nação nuclear" e tem capacidade de enriquecer urânio a 80%

O enriquecimento a 20% é necessário para fazer funcionar um reator nuclear de Teerã desenhado para produzir isótopos para fins medicinais. Para construir uma bomba atômica, é necessário ter urânio enriquecido a pelo menos 90%.

Tanto a informação sobre a carga nuclear quanto sobre o êxito do país em enriquecer urânio a 20% provavelmente aumentarão os temores da comunidade internacional de que o programa atômico do país tem objetivos militares, apesar de Teerã insistir no seu caráter pacífico para geração de eletricidade e fins científicos.

EUA, França, Grã-Bretanha e Rússia já defenderam que novas sanções seriam necessárias contra o país por causa de seu programa atômico.

Investigação antiga

A AIEA há anos investiga relatos de governos ocidentais indicando que o Irã tem esforços coordenados para processar urânio, testar explosivos em alta altitude e adaptar o cone de um míssil balístico para que possa receber ogivas nucleares.

Em 2007, no entanto, os EUA avaliaram que o Irã havia abandonado tais atividades em 2003 e, provavelmente, não as retomaria.

Importantes aliados ocidentais, porém, acham que o Irã manteve o programa - e o relatório da AIEA representa um inédito aval independente a essa teoria.

"A informação disponível para a agência é extensa (...), amplamente consistente e crível em termos de detalhes técnicos, do cronograma em que as atividades são conduzidas e das pessoas e organizações envolvidas", disse o relatório.

O relatório, que será avaliado em um encontro entre os dias 1º e 5 de março pelos 35 países que formam a direção da AIEA, apontou que com o passar do tempo tem ficado mais difícil obter informações sobre o programa nuclear iraniano, e, portanto, é essencial que Teerã coopere "sem mais delongas" com os investigadores da agência.

O Irã alega que as acusações ocidentais sobre o desenvolvimento de ogivas atômicas são inventadas, mas não conseguiu provar o contrário. O país passou 18 meses evitando contatos com a AIEA a respeito desse assunto.

*Com informações da Reuters e AFP


Veja o infográfico

* Com AFP e Reuters

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