Líder supremo do Irã pede investigação sobre denúncia de fraude eleitoral

TEERÃ - O guia supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, ordenou nesta segunda-feira uma investigação das alegações de fraude na vitória de Mahmoud Ahmadinejad nas eleições presidenciais.

Redação com agências internacionais |

A decisão do aiatolá foi anunciada pela TV estatal após o candidato reformista Mir Hossein Mousavi, que alega a fraude nas eleições presidenciais do país, escrever uma carta pedindo a investigação ao Conselho dos Guardiães após uma reunião no último domingo com Khamenei, que detém quase ilimitado poder sobre os assuntos internos iranianos.

Apesar de ter pedido ao Conselho dos Guardiães que "examine minuciosamente" a carta com as denúncias de Moussavi, no sábado o líder supremo deixou claro sua opinião. Em declarações públicas, Khamenei declarou seu apoio à vitória do atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad, e pediu aos outros candidatos que aceitem o resultado.

O Irã agora aguarda a decisão das autoridades eleitorais sobre o resultado do pleito. Mas, desde a fundação da República Islâmica, há 30 anos, o poderoso Conselho dos Guardiães nunca tomou uma decisão de tal envergadura.

Ahmadinejad, reeleito com aproximadamente 62% dos votos, já negou a fraude e comparou a insatisfação dos eleitores com a que os torcedores sentem quando seu time de futebol perde um jogo.

Protesto em Teerã

O opositor e reformista iraniano Mir Hossein Mousavi, que alegou fraudes ao pedir a anulação das eleições presidenciais de sexta-feira, confirmou que participará de uma manifestação convocada para hoje em Teerã, que foi vetada pelo Ministério do Interior .

Mousavi, que há vários dias estava sob vigilância na própria casa, deve pedir calma aos eleitores. No mesmo protesto, que inicialmente havia sido proibido pelo Ministério do Interior , estará o também candidato reformista à Presidência Mehdi Karrubi.

O ministério do Interior do Irã negou o pedido do candidato presidencial Mir Hossein Mousavi de organizar nesta segunda-feira uma passeata de protesto contra os resultados das eleições de sexta-feira, nas quais o presidente Mahmud Ahmadinejad foi reeleito. "Nenhuma autorização foi concedida para passeata ou concentração e todo tipo de marcha ou de concentraçã está proibida", anunciou o ministério do Interior.

Teerã foi cenário de confrontos no fim de semana entre as forças oficiais e os partidários de Mussavi, que contestam a reeleição de Ahmadinejad.


Protestos foram reprimidos com violência no Irã no fim de semana / AP

Alegação de fraude e protestos

Mousavi, um conservador moderado, afirma que a eleição de sexta-feira, que resultou em uma vitória esmagadora no primeiro turno do atual presidente, o conservador Mahmoud Ahmadinejad, foi marcada por graves irregularidades .

Os distúrbios no Irã começaram depois de um alto comparecimento às eleições de sexta-feira - estimado em 85%. Muitos partidários de Mousavi esperavam um resultado apertado. Mas o resultado oficial deu a Ahmadinejad uma vitória esmagadora, com uma parcela final de quase 63% dos votos, e foi rapidamente endossado pelo aiatolá Khamenei.

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