Líder supremo do Irã exige fim dos protestos de rua

Por Fredrik Dahl e Parisa Hafezi TEERÃ (Reuters) - O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, exigiu nesta sexta-feira o fim dos protestos de rua que abalam o país desde a controversa eleição presidencial, realizada uma semana atrás, e afirmou que qualquer derramamento de sangue será culpa dos líderes do movimento.

Reuters |

Ele defendeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad como o vencedor legítimo da eleição e descartou qualquer possibilidade de que o pleito tenha sido fraudado, como asseguram os opositores do atual presidente iraniano.

"Se houver qualquer derramamento de sangue, líderes dos protestos serão diretamente responsabilizados", declarou Khamenei, em seu primeiro pronunciamento à nação desde que as manifestações começaram.

"O resultado da eleição vem das urnas, não das ruas", afirmou o clérigo à enorme multidão que lotava a Universidade de Teerã e ruas adjacentes para as orações de sexta-feira, o dia muçulmano do descanso. "Hoje a nação iraniana precisa de calma."

Ele disse que qualquer queixa eleitoral deve ser encaminhada aos canais legais. "Não vou sucumbir à inovação ilegal", disse ele, em aparente referência aos protestos de rua, que têm poucos precedentes nos 30 anos de história da República Islâmica.

O candidato oposicionista Mirhossein Mousavi pediu a anulação do resultado da eleição, que apontou Ahmadinejad como vencedor com quase 63 por cento dos votos enquanto Mousavi, o concorrente mais próximo, teve 34 por cento.

O principal órgão legislativo iraniano, o Conselho dos Guardiões, está analisando as reclamações apresentadas pelos três candidatos perdedores, mas afirmou que somente serão recontados os votos das urnas contestadas.

"É uma impressão errada pensar que usando protestos de rua como forma de pressão eles vão convencer as autoridades a aceitar suas exigências ilegais. Esse seria o início de uma ditadura", disse Khamenei.

O aiatolá afirmou que os inimigos do Irã -- país que é o quinto maior exportador de petróleo do mundo -- estão atacando a legitimidade do regime islâmico por meio da contestação do resultado da eleição.

O líder supremo do Irã, autoridade que tem a palavra final no país, em teoria permanece acima de disputas de facções, mas Khamenei admitiu que seus pontos de vista sobre política interna e externa estão mais próximos dos de Ahmadinejad do que dos rivais do presidente, que é um político linha-dura.

Ele atacou o que chamou de interferência de potências estrangeiras que questionaram o resultado da eleição.

"Comentários de autoridades norte-americanas sobre direitos humanos e limitações às pessoas não são aceitáveis porque eles não têm nenhuma ideia sobre direitos humanos depois do que fizeram no Afeganistão e Iraque e outras partes do mundo. Não precisamos de conselhos deles sobre direitos humanos", disse.

Muitos países europeus e entidades de defesa dos direitos humanos criticaram o resultado da eleição, mas o governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, evitou comentários para manter uma janela aberta ao diálogo.

Pessoas entoando slogans e segurando pôsteres de Khamenei, Ahmadinejad e do aiatolá Ruhollah Khomenei, o pai da revolução de 1979, lotaram as ruas do lado de fora da universidade.

O discurso de Khamenei se seguiu a seis dias de protestos dos partidários de Mousavi. Na quinta-feira, dezenas de milhares deles marcharam usando vestimentas pretas e carregando velas para lembrar os sete mortos nas primeiras manifestações contra o resultado da eleição.

(Reportagem adicional de Dominic Evans e Hossein Jaseb)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG