Líder supremo do Irã endossa vitória de Ahmadinejad

O líder supremo do Irã, aiatolá Khamenei, endossou nesta sexta-feira o resultado das eleições que reelegeram o presidente Mahmoud Ahmadinejad e pediu que a oposição ponha um fim aos protestos que tomaram conta da capital, Teerã, nesta semana.

BBC Brasil |

AP
Khamenei disse que resultado da eleição foi justo

Khamenei disse que resultado da eleição foi justo

Em seu primeiro pronunciamento à nação desde as eleições, Khamenei disse que o resultado do pleito - contestado pela oposição - foi justo.

Ele disse que os protestos eram inaceitáveis e que suas lideranças seriam responsabilizadas por qualquer derramamento de sangue ocorrido nas manifestações.

A oposição cancelou um protesto marcado para esta sexta-feira, mas disse que haverá novas passeatas no sábado.

Preces

O discurso foi realizado no momento das tradicionais preces muçulmanas das sextas-feiras, na Universidade de Teerã, palco de vários choques entre policiais e estudantes nos últimos dias.

O aiatolá afirmou que os organizadores da eleição sabiam que não seriam permitidas fraudes e apelou para que os candidatos que tenham dúvidas sobre o resultado da eleição usem o sistema legal.

Khamenei afirmou ainda que diplomatas de alguns países ocidentais que vinham elogiando o processo democrático no Irã "removeram as suas máscaras nos últimos dias".

Ele disse que eles estão mostrando sua verdadeira imagem - mostrando inimizade para com o Estado islâmico.

Protestos

A esperada manifestação de Khamenei ocorreu depois de vários dias consecutivos de atos públicos realizados por partidários do rival de Ahmadinejad, Mir Hossein Mousavi, que acredita que houve fraude nas votação.

Alguns dos atos foram os maiores desde a Revolução Islâmica, há 30 anos. Na quinta-feira, mais de cem mil pessoas participaram de um "dia de luto" em Teerã, convocado por Mousavi, para homenagear oito pessoas que morreram durante protestos na segunda-feira.

Reuters
Iranianos protestam nas ruas de Teerã

Iranianos protestam nas ruas de Teerã

As autoridades prenderam centenas de pessoas que consideram opositores do regime, bloquearam acesso a vários websites e restringiram o trabalho de jornalistas.

Mousavi e dois outros candidatos derrotados no pleito apresentaram mais de 600 alegações de irregularidades ao Conselho dos Guardiões, que é a mais alta autoridade eleitoral.

Entre as queixas estão a falta de cédulas, pressão exercida sobre eleitores para votar em um determinado candidato e o impedimento do acesso de representantes de candidatos nas secções eleitorais. O conselho convidou os três candidatos para uma reunião no sábado para discutir suas objeções à condução do pleito.

Ahmadinejad defendeu sua vitória em um discurso pela TV iraniana na quinta-feira que, de acordo com correspondentes, é um sinal de que ele está levando os protestos mais a sério. "Nesta eleição, a vitória pertence aos 70 milhões de iranianos e aos 40 milhões que participaram da votação. Todos são vitoriosos", afirmou.

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