Líder sul-coreano ameaça retaliar Coreia do Norte com mísseis

Diplomatas da comunidade internacional, no entanto, falam em moderação e descartam uma operação militar

iG São Paulo |

Horas depois do ataque da artilharia norte-coreana contra a ilha de Yeonpyeong, situada a apenas 120 quilômetros da capital, Seul, nesta terça-feira, o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak pediu da comunidade internacional uma "enorme retaliação" e ameaçou a Coreia do Norte se percebesse "novas provocações".

O líder sul-coreano prometeu atacar com ataques mísseis se houvesse "novas provocações" da Coreia do Norte. “A provocação, desta vez, pode ser considerada uma invasão ao território sul-coreano”, disse o presidente sul-coreano. Desde que foi eleito presidente, há cerca de três anos, Lee vem adotando uma linha política dura em relação ao Norte.

Para diplomatas na comunidade internacional, a opção por uma ofensiva militar é precipitada. Os EUA consideram prematuro considerar uma ação militar contra a Coreia do Norte depois do bombardeio, informou um porta-voz do Pentágono, coronel David Lapan. O Conselho de Segurança da ONU descartou uma reunião nesta terça-feira por causa do ataque norte-coreano.

Os EUA querem uma resposta "prudente e unificada" da comunidade internacional depois do bombardeio, declarou nesta terça-feira Mark Toner, porta-voz do departamento de Estado americano.
"Mais à frente, teremos uma abordagem prudente e unificada", afirmou Toner. "Trabalharemos com a China, trabalharemos com todos os nossos aliados do Grupo dos Seis em uma resposta", destacou o porta-voz.

O incidente – no qual morreram dois oficiais da Marinha sul-coreana – é o primeiro “ataque de artilharia direta no território sul-coreiano desde a Guerra da Coreia , que terminou com um armistício, e não um tratado formal de paz” em 1950, segundo a agência sul-coreana Yonhap.

Ameaça

A Coreia do Norte ameaçou continuar lançando ataques contra a Coreia do Sul se a fronteira marítima em disputa pelos dois países for violada "nem que seja 0,001 milímitro". O alerta foi feito pelo comando militar supremo da Coreia do Norte, que advertiu que "lançará ataques retaliatórios impiedosos", segundo a Agência de Notícias sul-coreana.

A TV sul-coreana YTN afirmou que pelo menos 200 tiros foram disparados contra Yeonpyeong, que fica na costa ocidental da península dividida entre as duas Coreias. A maioria dos projéteis caiu em uma base militar sul-coreana. Forças sul-coreanas revidaram e enviaram um jato de combate para a área.

As duas Coreias ainda estão tecnicamente em guerra, já que o conflito dos anos 50 terminou com a assinatura de um armistício, e não de um acordo de paz.

No começo do ano, a tensão na península coreana subiu drasticamente, depois que o governo sul-coreano acusou o Norte de ter torpedeado uma de suas embarcações navais, causando a morte de 46 marinheiros.

Repercussão

A Casa Branca condenou fortemente o ataque e exigiu o fim das ações. "Os EUA condenam fortemente um ataque de artilharia desfechado pela Coreia do Norte contra uma ilha da Coreia do Sul e pedem à Coreia do Norte que interrompa suas ações beligerantes", disse a Casa Branca em um comunicado. O presidente americano, Barack Obama, conversará com o presidente sul-coreano, disse o porta-voz da Casa Branca Bill Burton.

A China expressou preocupação com o incidente. Hong Lei, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, disse que os dois lados da península deveriam "fazer mais para contribuir para a paz", sendo imperativo o retorno às conversações envolvendo seis países, com o objetivo de pôr fim ao programa nuclear da Coreia do Norte.

A China é o único aliado expressivo da Coreia do Norte. A ajuda econômica e o apoio diplomático chinês são importantes para o isolado país comunista, cujo líder, Kim Jong-il, visitou a China duas vezes este ano para fortalecer as relações bilaterais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também condenou o ataque da Coreia do Norte à Coreia do Sul. Segundo ele, a posição brasileira é de condenar qualquer forma de desrespeito à soberania de um país.

“Por enquanto, minha palavra é de condenação a qualquer tentativa de ataque da Coreia do Norte à Coreia do Sul”, afirmou Lula, após participar de cerimônia em Ribeirão Preto (SP). Ele reforçou, entretanto, a necessidade de que os países respeitem suas respectivas soberanias. “O Brasil é contra qualquer ataque a outro país. Não permitiremos, em hipótese alguma, qualquer tentativa de transgredir a soberania de outro país.”

Arte/iG
Coreia do Norte lançou disparos contra ilha sul-coreana
*Com AP, Reuters e Agência Brasil

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