Líder rebelde reforça ameaça contra governo no Congo

O líder rebelde da República Democrática do Congo, o general Laurent Nkunda, ameaça tomar todo o território do país se o presidente Joseph Kabila não concordar com a realização de negociações para compartilhar o governo. Nkunda, que controla partes significativas da província leste de Kivu do Norte, fez a declaração em uma entrevista ao correspondente da BBC Mark Doyle em um quartel-general rebelde nas montanhas, a três horas de carro da cidade de Goma.

BBC Brasil |

Uma recente ofensiva rebelde que teve Goma como alvo obrigou cerca de 250 mil civis a deixar suas casas no último mês.

Vestido com um uniforme militar e cercado por homens fortemente armados, Nkunda insistiu que vai derrubar Kabila se não for atendido.

Perguntado sobre que direito um líder rebelde tem de fazer exigências ao governo eleito do Congo, o general respondeu: "Sou um rebelde, mas a forma de resolver o problema é negociar".

Tutsis
Nkunda é um general da etnia tutsi acusado de ter o apoio do governo de Ruanda, país vizinho liderado por tutsis. Mas o líder rebelde nega a acusação.

"Não posso ser um instrumento de Ruanda", afirma. "Sou congolês e me orgulho disso."
O general reclama de maus-tratos contra integrantes da etnia tutsi no país ao longo dos anos e diz que pegou em armas para defender os tutsis.

Para Nkunda, a presença de militantes da etnia hutu supostamente envolvidos no genocídio em Ruanda, em 1994, é hoje uma ameaça real aos tutsis congoleses.

Posição política
Kabila rejeita a exigência do general Nkunda e afirma que seria "inconstitucional" conversar com rebeldes.

De acordo com Mark Doyle, a ameaça de Nkunda pode não passar disso e ter como objetivo, por enquanto, fortalecer a posição política do general rebelde.

Mas o ultimato certamente aumenta o clima de tensão em um momento em que outros países africanos também ameaçam entrar no conflito do lado do governo eleito do Congo.

Na década de 90, pelo menos seis países vizinhos tinham tropas no Congo, e as hostilidades foram tão generalizadas que o conflito se tornou conhecido como a Primeira Guerra Mundial da África.

A guerra regional contribuiu para a morte de 5 milhões de pessoas em dez anos - vítimas principalmente de combates e fome.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG