Líder rebelde quer negociar cessar-fogo com governo de Kinshasa

O líder guerrilheiro Laurent Nkunda declarou neste domingo que está disposto a negociar com as autoridades da República Democrática do Congo (RDC), presidida por Joseph Kabila, para obter um cessar-fogo no leste do país, onde os combates não dão trégua.

AFP |

"Nós queremos entrar em contato com nossos adversários para obter um cessar-fogo", afirmou Nkunda depois de uma reunião de quase duas horas com o emissário da ONU para o leste da RDC, Olusegun Obasanjo.

O encontro aconteceu na cidade de Jomba, 80 km ao noroeste de Goma, capital da região de Kivu Norte, perto da fronteira com Ruanda e Uganda.

O chefe insurgente voltou a reiterar que respeita o cessar-fogo proclamado unilateralmente por seu movimento no dia 29 de outubro.

"Nós possibilitamos a abertura de corredores humanitários", acrescentou em uma entrevista coletiva, lembrando um de seus compromissos anteriores.

"Hoje é um grande dia para nós, porque perdíamos muitos homens, mas agora temos uma mensagem de paz. Devemos trabalhar para esta missão de paz", concluiu.

Já Obasanjo declarou que agora sabe o que Nkunda deseja.

"Sei que um cessar-fogo é como dançar um tango: não pode existir apenas um que respeite o fim das hostilidades".

O emissário da ONU chegou de helicóptero a Jomba procedente de Goma e foi recebido com um caloroso aperto de mãos por parte de Nkunda.

Nenhum dos vários emissários que viajaram nas últimas semanas ao antigo Zaire havia conseguido um encontro com o líder rebelde.

Nkunda, de etnia tutsi e antigo general do Exército congolês, trocou o tradicional uniforme militar por um terno cinza claro, camisa branca e gravata vermelha para receber o ex-presidente nigeriano Obasanjo.

Na chegada, Obasanjo passou em revista as tropas rebeldes do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), antes de entrar, ao lado de Nkunda, no pequeno edifício em que aconteceu a reunião.

As tropas rebeldes estão ativas há vários anos no leste da RDC. No final de agosto os combates foram retomados entre o Exército congolês e o CNDP, violando um cessar-fogo decretado em janeiro.

Nas últimas semanas, os rebeldes infligiram derrotas humilhantes ao Exército. Desde o fim de outubro, estão posicionados a 15 quilômetros de Goma e há vários dias a 20 quilômetros de Kanyabayonga (100 km mais ao norte), um enclave estratégico para o acesso ao norte da região de Kivu Norte.

Antes da reunião entre Obasanjo e Nkunda foram registrados combates violentos entre os dois lados a 20 quilômetros de Kanyabayonga, controlada pelo Exército congolês.

Os combates provocaram uma situação humanitária catastrófica, com mais de 250.000 pessoas deslocadas, a maioria sem qualquer assistência das organizações humanitárias por causa da insegurança reinante.

bur-bed/fp

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