Líder rebelde do Congo Nkunda é preso em Ruanda

Por John Kanyunyu e Joe Bavier GOMA, Congo (Reuters) - Ruanda e Congo anunciaram nesta sexta-feira que o líder rebelde congolês da etnia tutsi, Laurent Nkunda, foi preso em Ruanda durante uma operação conjunta.

Reuters |

Nkunda lidera desde 2004 uma rebelião tutsi no leste do Congo, e é procurado por crimes de guerra. Ele foi detido na noite de quinta-feira, e o Congo disse que pedirá sua extradição.

Comandantes militares de ambos os países disseram que Nkunda tentou resistir à operação binacional, lançada nesta semana para capturar milicianos hutus ruandeses da FDLR (Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda) que operam no Congo.

A prisão de Nkunda foi amplamente vista como parte de um acordo que permitiu que Ruanda enviasse mais de 3.500 soldados para o Congo nesta semana, numa inédita cooperação entre os dois vizinhos da África Central, após anos de hostilidade e desconfiança.

Trabalhadores humanitários disseram que, graças à prisão do dirigente tutsi, centenas de crianças recrutadas pelas fileiras rebeldes em breve devem ser libertadas.

Mais de 5 milhões de congoleses morreram por causa de guerras, rebeliões e conflitos étnicos desde 1998, o que atravanca o desenvolvimento desse gigante africano, uma ex-colônia belga que é rica em minérios como cobre, cobalto, coltan, ouro e urânio.

"O ex-general Laurent Nkunda foi preso na quinta-feira, 22 de janeiro, às 22h30, quando fugia em território ruandês depois de resistir às nossas tropas em Bunagana com três batalhões", disseram os comandantes congoleses e ruandeses em nota.

Mas um seguidor de Nkunda disse que o fundador do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP) foi "chamado para consultas" em Ruanda antes de ser preso.

Diplomatas e analistas disseram que a prisão de Nkunda, somada à ofensiva conjunta contra a FDLR, ajudará a reforçar a confiança mútua entre Kinshasa e Kigali. No passado, os dois governos se acusaram mutuamente de apoiar grupos armados hostis.

"Está bastante óbvio agora que isso é parte de um acordo entre Kigali e Kinshasa para combater a FDLR e o CNDP ao mesmo tempo," disse o analista independente Jason Stearns.

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