Líder rebelde congolês se compromete a apoiar processo de paz da ONU

Kinshasa, 16 nov (EFE).- O líder rebelde Laurent Nkunda se comprometeu hoje a respeitar o cessar-fogo e a apoiar o processo de paz que será iniciado pela ONU após os confrontos que forçaram 250 mil pessoas a abandonarem suas casas no leste da República Democrática do Congo (RDC).

EFE |

O enviado especial da ONU à RDC, o ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, e Nkunda se reuniram hoje de manhã na cidade congolesa de Jomba, próxima à fronteira com Uganda e Ruanda, após mais de dois meses de contínuos enfrentamentos entre o Exército e as forças rebeldes do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP).

Segundo Nkunda, além de respeitar um cessar-fogo e apoiar o processo de paz iniciado pela ONU, os rebeldes permitirão a formação de um "corredor humanitário" para permitir a chegada de ajuda humanitária à população congolesa, que sofre com o conflito que castiga o leste da RDC desde 1998.

"Apoiamos a missão (de Obasanjo) e cumpriremos nossa parte para que possamos alcançar a paz", declarou Nkunda à imprensa pouco após o final da reunião.

Embora Nkunda tenha apoiado a iniciativa da ONU de começar um novo processo de paz, disse que seu adversário político, o presidente da RDC, Joseph Kabila, também deveria respeitar a cessação das hostilidades.

Por outro lado, Obasanjo declarou que seu encontro com Nkunda foi "muito bom" e que o líder rebelde "quer manter o cessar-fogo", mas que isto é algo que deve ser respeitado pelas "duas partes". "O cessar-fogo é como dançar tango: não se pode fazer sozinho", ressaltou.

Antes de se reunir com Nkunda, Obasanjo visitou vários campos de refugiados na região da província de Kivu Norte e se reuniu com autoridades locais.

O enviado especial da ONU sobrevoou a zona em helicóptero para conhecer a situação militar e humanitária, informaram fontes da Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo (Monuc).

Posteriormente, Obasanjo seguiu para Bunagana, a 70 quilômetros de Goma, para se reunir com Nkunda.

As conversas realizadas hoje entre Obasanjo e Nkunda são de especial importância, já que nenhum dos ministros de Assuntos Exteriores nem os enviados especiais da União Européia (UE) conseguiram falar com o líder rebelde em suas visitas à RDC.

Obasanjo conversou recentemente com Kabila e com o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, para informar a eles o que tinha sido decidido na Cúpula de Nairóbi, promovida pela ONU e a União Africana (UA) sobre o conflito na RDC.

Enquanto isto, os combates foram retomados esta manhã entre forças do Governo e rebeldes em Ndeko, na região de Rutshuru, a 20 quilômetros de Kanyabayonga, para onde a Monuc enviou reforços, declarou hoje o porta-voz da ONU Jean-Paul Dietrich.

Segundo a Monuc, rebeldes do CNDP atacaram as posições dos soldados das Forças Armadas da RDC posicionados em uma interseção da estrada que liga Goma a Butemo, embora as forças do Governo tenham conseguido dispersar a ofensiva.

O começo do atual conflito na RDC remonta a 1998, quando os rebeldes baniamulengues, tutsis de origem ruandesa, se levantaram contra o Governo do então presidente congolês, Laurent Kabila, que tinha chegado ao poder em meados de 1997 com o apoio dos próprios tutsis.

Desde então, o conflito entre os rebeldes do CNPD e os soldados congoleses não cessou, embora a situação tenha acalmado depois que Nkunda e Kabila assinaram um acordo de paz em 23 de janeiro.

Nkunda acusa o Governo de seu país de não defender adequadamente os direitos não apenas de seu grupo étnico, mas de toda a população congolesa, das supostas incursões dos hutus ruandeses no leste da RDC. EFE py/wr/fal

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG