Líder radical islâmico da Nigéria morre após detenção, diz polícia

LAGOS - O líder do movimento radical islâmico da Nigéria morreu nesta quinta-feira depois de ser preso, segundo informou uma fonte policial, que não quis ser identificada. A televisão local mostrou imagens de um corpo que seria de Mohamed Yusuf.

Redação com agências internacionais |



"Ele foi morto. Você pode ir à sede da polícia estadual e ver o corpo dele", disse a um repórter da Reuters o porta-voz do comando de Maiduguri, Isa Azare.

Yusuf, que teria 39 anos de idade e seria originário do Estado de Yobe, havia sido exibido pela polícia a repórteres logo após sua captura. De acordo com um repórter da BBC em Maiduguri, naquele momento o líder rebelde não aparentava estar ferido.

O editor de assuntos africanos da BBC News, Joseph Winter, disse que as forças de segurança da Nigéria são conhecidas por usarem métodos brutais e são acusadas por organizações de defesa dos direitos humanos de praticarem frequentemente execuções extrajudiciais.

O número de mortos nos confrontos no norte da Nigéria entre os radicais islâmicos do grupo "Boko Haram" e as forças governamentais do país subiu para 400, segundo informaram meios de comunicação locais.

Após cinco dias de combates, as tropas nigerianas, que na noite de terça-feira bombardearam os quartéis-gerais dos rebeldes islâmicos em Maiduguri, a capital do estado de Borno, norte, seguiram hoje com as ações armadas, que pretendem derrotar os líderes do grupo Boko Haram.


Soldados atearam fogo em casa de suposto líder de grupo islâmico / AFP

Hoje, o governo da Nigéria enviou à região mil soldados pelo lado de Cross River, ao sul do país, depois que a violência se estendeu por seis Estados diferentes: Borno, Bauchi, Kano, Yobe, Katsina e Jigawa.

Confrontos violentos

Os confrontos no norte da Nigéria começaram no domingo em Bauchi, quando uma delegacia da polícia foi atacada pela guerrilha Boko Haram, o que desencadeou um tiroteio que deixou 41 mortos e que derivou em combates entre as forças governamentais e os insurgentes, que não pararam desde então.

As autoridades não forneceram o número exato de mortos depois de cinco dias de confrontos, mas a imprensa local informou nesta quinta-feira que só no estado de Borno mais de 300 pessoas morreram, às quais é preciso somar outras 50 em Bauchi e 40 em Yobe.

O governo também anunciou nesta quinta-feira que pelo menos mil pessoas fugiram de seus lares após os confrontos de ontem em Maiduguri, o que eleva a mais de quatro mil o número de deslocados desde o início dos combates.

Grupo "Boko Haram"

O grupo Boko Haram ("Educação é proibida", em tradução livre) é liderado por Mohammed Yusuf e luta contra o sistema de educação ocidental. O grupo acredita que o governo nigeriano foi corrompido pelas ideias do Ocidente. Eles desejam impor a lei islâmica, a Sharia, em todo o país.

A população local também se refere ao Boko Haram como "Taleban", embora não existam laços conhecidos entre os nigerianos e os milicianos do Afeganistão.

A população nigeriana, de cerca de 150 milhões de pessoas, é dividida quase que igualmente entre muçulmanos e cristãos e os dois grupos convivem de forma pacífica, apesar dos episódios ocasionais de violência.

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