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Líder paquistanês diz a Rice que atuará contra culpados de ataques em Mumbai

Igor G. Barbero.

EFE |

Islamabad, 4 dez (EFE).- O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, disse hoje à secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que seu país atuará contra qualquer "elemento" paquistanês que esteja comprovadamente envolvido nos atentados em Mumbai, além de ajudar o Governo indiano na investigação.

Zardari recebeu Rice hoje em Islamabad. A secretária americana também se reuniu com o primeiro-ministro paquistanês, Yousaf Raza Gillani, em um esforço de mediação entre indianos e paquistaneses que começou na quarta-feira, com consultas em Nova Délhi.

O diplomata americano voltou a reivindicar das autoridades do Paquistão uma resposta "forte" e "eficaz" após os atentados em Mumbai, dos quais a Índia acusa o grupo Lashkar-e-Toiba, com base em solo paquistanês.

Em comunicado, Gillani reiterou a "determinação" de seu Governo de "não permitir que seu território seja utilizado para lançar ataques terroristas".

O primeiro-ministro lembrou que seu país condenou "nos termos mais contundentes" os ataques terroristas a Mumbai, que causaram a morte de 188 pessoas, e ofereceu ao Governo indiano sua "total cooperação" na investigação.

Zardari garantiu que o Paquistão não só ajudará na investigação, mas também iniciará ações contra qualquer "elemento" paquistanês que se descubra que esteve envolvido no ataque, segundo a agência estatal "APP".

Em entrevista coletiva transmitida pelas televisões paquistanesas, Rice voltou a insistir na "urgência" de chegar até o fundo na investigação do atentado e prevenir outro no futuro.

Rice disse que percebeu que as autoridades paquistanesas "entendem a importância" de eliminar as bases terroristas em seu território e estão comprometidas "a contribuir na investigação" dos ataques em Mumbai.

A chefe da diplomacia dos EUA descartou que a tensão atual entre a Índia e o Paquistão possa levar a conflito armado entre as duas potências nucleares, que tiveram três guerras desde sua independência, em 1947.

"Nas conversas, não se falou de ação militar, mas de como prevenir (atentados), como responder eficazmente", disse Rice.

"Já existe muita informação. Esta informação deve ser usada para pegar os culpados", defendeu.

Rice disse confiar em que as duas nações serão capazes de "manter as vias de comunicação abertas, embora seja um tempo difícil".

A Índia afirma que tem provas de que o grupo terrorista Lashkar-e-Toiba (LeT), que luta pela anexação ao Paquistão da Caxemira, está por trás do massacre contra a capital financeira indiana.

O Governo indiano exigiu ao paquistanês que capture os "elementos" que organizaram o massacre de Mumbai, e reivindicou a entrega de cerca de 20 "fugitivos" responsáveis por grandes atentados em solo indiano, como o chefe do LeT, Mohammed Said.

Em sua resposta a Rice, Zardari enfatizou que atuará contra as pessoas que a Índia possa comprovar que foram responsáveis pelo ocorrido em Mumbai.

Na terça-feira, o presidente do Paquistão tinha colocado em dúvida a participação de paquistaneses no ataque, e tinha reivindicado provas tangíveis.

"As provas saem em um tribunal. O que há agora são indícios da inteligência que não podem ser levados a uma corte", disse à Agência Efe uma fonte diplomática ocidental, que também destacou que o Paquistão tem "indícios suficientes, tanto próprios quanto alheios", de que há terroristas operando em seu território.

O Paquistão "tem que assumir que tem uma responsabilidade enorme pelo terrorismo internacional, pois, em seu território, têm cobertura muitos grupos que estiveram cometendo atentados no mundo todo", disse a fonte.

Ao mesmo tempo, a fonte admitiu que a situação é complicada pelo fato de os indianos estarem "muito reticentes a aceitar a cooperação internacional" na investigação, e aproveitaram a ocasião para voltar com "uma velha reivindicação" de entrega dos "20 terroristas mais procurados", não necessariamente relacionados aos ataques a Mumbai.

O editor do jornal paquistanês "The News", Salim Bakhari, disse à Efe que percebeu hoje uma "suavização" no discurso de Rice em relação ao Paquistão, no qual "não colocou nenhuma exigência concreta".

"Para poder colaborar, é preciso que nos dêem provas", disse Bakhari, alinhado ao discurso oficial. EFE igb-ja/an

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