Líder opositora birmanesa é levada à prisão para ser julgada

Bangcoc, 14 mai (EFE).- A líder da oposição birmanesa e Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, foi levada hoje à prisão para ser julgada por descumprir os termos da detenção domiciliar, depois da acusação de que um estrangeiro foi à casa dela em Yangun, onde a opositora esteve confinada durante os últimos seis anos.

EFE |

Suu Kyi, de 63 anos e que está em delicado estado de saúde, foi levada no início do dia, com a vigilância de quase 20 policiais, à prisão de máxima segurança de Insein, junto com as duas mulheres que cuidam dela desde que, em 2003, a Junta Militar ordenou novamente a detenção da opositora.

As autoridades militares acusaram formalmente Suu Kyi e as outras duas pessoas de infringir a lei que "protege o Estado da periculosidade dos elementos subversivos", que é aplicada para manter retida a líder da Liga Nacional pela Democracia (LND), afirmou o advogado e opositor Hla Myo Win.

Após sua chegada a Insein, Suu Kyi foi confinada em um pavilhão especial do centro penitenciário onde se reuniu durante alguns minutos com Kyi Win, um dos três advogados que a defenderam em outras ocasiões anteriores.

"Suu Kyi acredita que não a considerarão culpada, está forte mentalmente e com bom ânimo", disse Kyi Win, em um breve comunicado emitido pelo partido.

O julgamento de Suu Kyi, que esteve em prisão domiciliar por 13 anos desde que, em 1988, voltou a seu país e tomou as rédeas da LND, deve começar na próxima segunda-feira dentro do presídio, e será presidido por juízes militares, uma norma seguida quando o acusado é um importante membro da oposição.

Esta acusação contra a opositora ocorre no momento em que, em Mianmar, aumenta a tensão política por causa da preparação das eleições convocadas para 2010 pela Junta Militar, que ignora a vitória da LND de Suu Kyi no pleito realizado em 1990.

O porta-voz da LND, Nyan Win, denunciou que a transferência da líder da oposição para a prisão e a acusação eram uma manobra do Governo militar para prolongar a retenção dela, que, segundo estabelece a legislação, terminava em 27 de maio.

"Tem uma motivação política o fato de que continue detida", disse o porta-voz da LND, a única formação política de oposição que resiste à intensa pressão do regime militar.

Se for considerada culpada, Suu Kyi pode ser condenada de três a cinco anos de prisão, o que implica em que não poderá participar das eleições.

O porta-voz da LND disse que o julgamento de Suu Kyi na prisão de Insein, onde estão reclusos muitos dos cerca de 2,3 mil presos políticos, durará aproximadamente duas semanas.

"Tememos que a pretensão seja prendê-la em Insein", disse.

Há anos, Suu Kyi tem a linha de telefone desligada, não pode receber visitas sem permissão prévia das autoridades e apenas algumas vezes recebeu seu médico e o enviado especial da ONU em sua casa, em Yangun.

A acusação contra Suu Kyi está relacionada ao misterioso caso de um cidadão americano que, na semana passada, teria entrado na casa da líder da LND, após burlar as medidas de segurança e os agentes que vigiam o perímetro da casa durante 24 horas.

O advogado Kyi Win qualificou de "intruso" e "excêntrico" o americano John William Yettaw, que permanece detido desde que, em 6 de maio, foi surpreendido pela Polícia quando retornava nadando da casa da líder opositora, situada em uma das margens de um lago, após passar pelo menos uma noite no local.

Um dia depois da detenção do americano, a Polícia deteve o médico pessoal de Suu Kyi, que durante os últimos dias recebia soro intravenoso devido à dificuldade para ingerir alimentos. EFE tai/an

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