Líder opositor afirma que Chávez tenta promover reeleição ilimitada

Caracas, 29 nov (EFE) - O secretário-geral do partido opositor social-democrata Ação Democrática (AD), Henry Ramos, afirmou hoje que o Governo de Hugo Chávez promoverá no curto prazo várias emendas à Constituição para tentar instaurar a reeleição presidencial ilimitada na Venezuela.

EFE |

O presidente venezuelano apelará à maioria que tem na Assembléia Nacional (AN), de 167 membros, quase todos aliados ao Governo, para apresentar, "em um curto período, quatro emendas", disse Ramos em entrevista coletiva.

Segundo o dirigente da oposição, as "quatro emendas" buscarão a instauração da "reeleição presidencial indefinida", que já foi proposta por Chávez em um projeto de reforma constitucional que foi rejeitado em referendo popular.

Após ter sido rejeitado em consulta popular, seria "ilegal e inconstitucional" apelar à "emenda" para insistir na reeleição ilimitada, ressaltou Ramos, que disse não acreditar que a Justiça local considere isso.

Em dezembro de 2006, Chávez foi reeleito para um segundo e último mandato consecutivo de seis anos, e disse que, pessoalmente, não insistirá em promover a reeleição presidencial ilimitada depois da derrota nas urnas de sua reforma constitucional.

No entanto, na terça-feira o líder deixou nas mãos dos aliados a possibilidade de promover métodos como a emenda para tentar instaurar a reeleição ilimitada presidencial e, após a aprovação do Parlamento, voltar a levar a proposta a referendo popular.

O dirigente do opositor AD disse que outra "emenda" que o Governo impulsionará é a designação, por parte de Chávez, de "vice-presidentes" em cada um dos 23 estados, que estarão acima dos governadores e prefeitos eleitos nas urnas no domingo.

O Executivo também buscará através da emenda outorgar categoria constitucional aos corpos da milícia e reserva militar, e ditará que ambos obedeçam diretamente à Presidência da República, afirmou o ex-deputado venezuelano.

"E, para a consumação de seu poder total", Chávez impulsionará outra emenda para que seja ele quem "proponha" à AN os cargos de procurador-geral, controlador, defensor público e todos os 32 magistrados do Supremo.

Além disso, Ramos acusou o presidente de promover o "ódio e a divisão" entre os venezuelanos, e de manter "em xeque" as liberdades de expressão e informação no país.

Chávez se transformou "em um político anti-social", afirmou Ramos, ao alegar que, apesar dos pedidos de união e trabalho coordenado feitos pelos novos governadores e prefeitos opositores, o líder "segue instigando a violência contra eles". EFE gf/db

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