Líder opositor abandona negociação na Bolívia

O porta-voz da oposição boliviana, Mario Cossío, prefeito (governador) do Departamento (Estado) de Tarija, abandonou nesta terça-feira uma reunião com o governo que daria início às negociações para colocar fim à crise que se agravou na Bolívia na última semana. A negociação começou na sexta-feira com a decretação de estado de sítio em Pando e termina hoje com uma prisão.

BBC Brasil |

O diálogo não morreu, mas está agonizando", disse Cossío ao chegar a Santa Cruz de la Sierra, após reuniões com o governo em La Paz.

Cossío deixou a reunião com o vice-presidente, Álvaro García Linera, após ter sido informado sobre a prisão do governador do Departamento de Pando, Leopoldo Fernández, nesta terça-feira.

Fernández é acusado pelo governo do presidente Evo Morales de ser um dos mandantes do assassinato de pelo menos 16 pessoas durante conflitos em Pando na última quinta-feira.

O representante da oposição sinalizou ainda que as negociações com o governo só poderão ser retomadas se a prisão de Fernández for revista.

"Não podemos dialogar se o governo, simultaneamente, prende seus opositores. Então, ou dialogamos ou nos dedicamos a cuidar da nossa própria segurança", disse o prefeito de Tarija.

Em Santa Cruz de La Sierra, Cossío deve ser reunir com outros governadores da oposição para avaliar, segundo informou, os próximos passos nas negociações.

Mesas de discussão
Pouco depois das declarações de Cossío, o vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, concedeu uma entrevista onde informou que o presidente Evo Morales já assinou o documento que deve ser a primeira etapa do início das negociações com a oposição.

"Por isso, peço aos governadores que também assinem este documento, se querem evitar mais violência no país", disse diante das câmeras de televisão.

De acordo com Linera, foram definidas durante a reunião com a oposição mesas de discussão sobre as autonomias dos Departamentos (Estados), a nova Constituição e a distribuição recursos gerados pelo setor petroleiro.

"Eu já havia avisado Cossío, em uma reunião na sexta-feira, que iríamos prender o governador de Pando. Somos um governo implacável contra o delito. Somos flexíveis com as demandas, mas não esqueceremos as mortes, as agressões".

Linera afirmou ainda que os crimes "não estão na mesa de discussões".

Leopoldo Fernández, preso nesta terça-feira, faz parte do grupo de governadores da oposição da chamada "meia lua" - a região boliviana formada pelos Departamentos de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando. Juntos, eles integram a liderança da oposição a Morales.

O novo impasse nas discussões ocorre um dia depois que nove presidentes participaram, em Santiago, no Chile, da reunião de emergência da Unasul para discutir a crise boliviana.

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