Líder israelense teme que Egito possa seguir caminho do Irã

Em Jerusalém, Netanyahu diz esperar que tratado de paz assinado entre Israel e Egito há três décadas sobreviva a mudanças do país

Reuters |

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse na segunda-feira temer que o Egito possa terminar com um regime radical islâmico como o do Irã.

Falando em uma entrevista ao lado da primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, o líder israelense disse esperar que o tratado de paz firmado entre Israel e o Egito há três décadas sobreviva a quaisquer mudanças que ocorram no governo do país.

Os comentários de Netanyahu foram os mais duros feitos por ele desde o início da onda de protestos na semana passada contra o presidente do Egito, Hosni Mubarak, o mais importante e mais antigo aliado israelense no mundo árabe.

"Nosso temor de fato é de uma situação que possa ter como desdobramento - e que na realidade já teve desdobramentos em vários países, incluindo o próprio - Irã um regime repressivo do Islã radical."

Netanyahu disse que, embora os protestos possam não ser motivados por extremismo religioso, em uma situação de caos, um órgão islâmico organizado pode assumir o controle de um país. "Aconteceu no Irã. Aconteceu em outras instâncias", disse ele.

Analistas israelenses disseram na segunda-feira que, se Mubarak for derrubado, Israel perderá um de seus pouco amigos em uma vizinhança hostil e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, terá grande parte da culpa.

Comentaristas políticos demonstraram estar chocados pelo modo como os Estados Unidos, bem como seus aliados europeus, parecem estar prontos para se livrar de um forte aliado estratégico de três décadas, simplesmente para se adequar à corrente ideológica de justeza política.

Netanyahu pediu aos ministros que não façam comentários sobre o impasse político no Cairo, para evitar inflamar uma situação já explosiva. Mas o presidente de Israel, Shimon Peres, não é um ministro.

"Nós sempre tivemos e ainda temos grande respeito pelo presidente Mubarak", disse ele na segunda-feira. Em seguida, Peres se voltou para o tenso passado. "Não digo se tudo o que ele fez foi certo, mas ele fez uma coisa pela qual todos nós lhe somos agradecidos: ele manteve a paz no Oriente Médio."

Colunistas de jornais foram bem mais cortantes. Um comentário de Aviad Pohoryles, no diário "Maariv" tinha como título "Um Tiro nas Costas de Tio Sam". O autor acusou Obama e sua secretária de Estado, Hillary Clinton, de seguirem uma diplomacia ingênua, presunçosa, estreita e sem tomar cuidado com os riscos.

No domingo, Obama pediu uma "transição ordeira" para a democracia no Egito, por pouco não pedindo que Mubarak deixe o cargo, mas indicando que seus dias no cargo podem estar contados.

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