Líder islâmico pede à Al Qaeda que aceite oferta de Obama

CAIRO (Reuters) - O líder de um grupo islâmico que lançou uma insurgência no Egito na década de 1990 pediu neste sábado que a Al Qaeda e o Taliban considerassem uma abertura à oferta do presidente dos Estados Unidos e interrompessem os ataques contra civis norte-americanos. Essam Derbala, membro da liderança do conselho da Al-Gamaa Al-Islamiya, ou Grupo Islâmico, fez o apelo depois de o presidente Barack Obama afirmar no Cairo na quinta-feira que deseja um novo começo nos laços entre Washington e o mundo muçulmano.

Reuters |

Intelectuais islâmicos e grupos no Egito há tempos inspiram movimentos ao redor do mundo. A reputação de Washington piorou no mundo muçulmano sob a política para o Oriente Médio do antecessor de Obama, George W. Bush, que, para muitos, tinha os muçulmanos como alvo.

"Eu peço ao Taliban do Afeganistão e do Paquistão e à Al Qaeda que olhem para essa solução e coloquem os americanos em um teste real sobre a extensão da sua sinceridade na conquista da paz com o mundo muçulmano", disse Derbala à Reuters.

"Considero que essa é uma chance para revelar a verdade sobre Barack Obama diante do povo", afirmou ele, acrescentando que essas organizações deveriam abrir negociações com os Estados Unidos e declarar que "não têm necessidade de matar civis norte-americanos".

Segundo no comando da Al Qaeda, o egípcio Ayman al-Zawahri pediu aos seu compatriotas que rejeitassem o "criminoso" Obama pouco antes de o presidente fazer o discurso no Cairo.

Muitos muçulmanos que ouviram o discurso de Obama receberam bem a mudança de tom de Washington, mas disseram que querem ver mais detalhes sobre como curar as longas feridas que incluem o conflito árabe-israelense.

A Irmandade Muçulmana, grupo egípcio que renunciou à violência há algumas décadas, disse que o discurso se devia principalmente a relações públicas.

A Al-Gama'a Al-Islamiya pediu uma insurreição na década de 1990 que foi batida por forças de segurança. Os seus membros foram aprisionados e de lá saíram figuras de liderança que renunciaram à violência, como Derbala, que foi libertado junto de muitos outros em 2006.

O jornal pan-árabe Asharq Al-Awsat reportou em janeiro, dias depois de Obama assumir o cargo, que Derbala pedia à Al Qaeda que acertasse uma trégua de quatro meses com os EUA..

(Reportagem de Mohamed Abdellah)

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