Líder islâmico ordena cessar-fogo no Paquistão

Por Alamgir Bitani PESHAWAR, Paquistão - Um líder militante ligado à Al-Qaeda ordenou que seus seguidores suspendam os ataques enquanto ocorre uma negociação de paz com o governo do Paquistão, disse uma autoridade na quinta-feira.

Reuters |

O novo governo paquistanês, eleito em fevereiro, promete negociar o fim do levante islâmico que já levou à morte de centenas de pessoas desde meados de 2007. Críticos dizem, porém, que isso dará aos militantes, radicados nas áreas tribais da fronteira com o Afeganistão, uma chance de se reagruparem e intensificarem suas ações.

Com o início das negociações, o dirigente militante Baitullah Mehsud, acusado de tramar o assassinato da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, em dezembro, avisou seus seguidores a suspenderem os ataques no Paquistão.

'Todos os membros do Tehrik-e-Taliban [Movimento do Taliban] receberam ordens de Baitullah Mehsud de que foi imposta uma proibição às atividades provocativas em nome da paz', disse um folheto distribuído pelo grupo na região do Waziristão do Sul e em cidades vizinhas, próximas à fronteira com o Afeganistão, uma região onde há escassa presença do poder público.

O Tehrik foi formado no ano passado, reunindo vários grupos menores das áreas da etnia pashtun no Paquistão.

Os militares não quiseram comentar a trégua, mas negaram que tenha havido uma retirada de tropas de posições no Waziristão do Sul, como disseram os militantes.

Mas Rehman Malik, alto funcionário do ministério do Interior, disse a jornalistas que 'se [Malik] disse [que deve haver trégua], então damos as boas-vindas a isso'. Ele afirmou ainda que Mehsud negou ter matado Bhutto.

No folheto visto pela Reuters, o Tehrik-e-Taliban ameaça enforcar em público quem violar a trégua.

As autoridades já realizaram pactos com militantes anteriormente, o que permitiu um declínio temporário na violência em algumas regiões, embora sem resolver a situação no vizinho Afeganistão.

Ciente dos temores ocidentais de que trégua permita que os militantes se reagrupem, o secretário de Informação da Província da Fronteira Noroeste, Iftikhar Hussain, disse que desta vez o processo de paz vai dar certo. 'Vai demorar, eles precisam confiar em nós', afirmou.

Donald Camp, funcionário do Departamento de Estado dos EUA encarregado da Ásia Centro-Meridional, disse que o governo paquistanês está ciente da necessidade de eventualmente usar a força. 'Se o acordo não funcionar, o governo entende que a ação militar é necessária', afirmou ele em Berlim.

Antes, Maulvi Omar, porta-voz de Mehsud, afirmou que as negociações estão avançando e elogiou a libertação, na segunda-feira, de Sufi Mohammad, um clérigo radical que enviou milhares de militantes ao Afeganistão para combater as forças dos EUA e seus aliados. Ele estava preso desde 2002.

O novo governo paquistanês é comandado pelo Partido do Povo Paquistanês, da falecida Bhutto, que faz oposição ao presidente Pervez Musharraf, cujo apoio aos EUA na 'guerra ao terrorismo' é muito impopular dentro do país.

(Reportagem adicional de Karman Haider e Zeeshan Haider)

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