Líder indígena peruano pede asilo à Nicarágua

O líder de manifestantes indígenas peruanos que têm protagonizado uma tensa campanha de protestos contra o governo, Alberto Pizango, pediu asilo à Embaixada da Nicarágua em Lima, informou o governo peruano.

BBC Brasil |

 "Acabo de receber um comunicado da Embaixada da Nicarágua, que diz que na tarde de hoje (segunda-feira) se refugiou nesta missão o cidadão Alberto Pizango", afirmou o primeiro-ministro peruano, Yehude Simon.

Alberto Pizango, que está sendo procurado pela polícia peruana sob a acusação de rebelião e sedição, era suspeito de haver escapado para a vizinha Bolívia, em meio a uma violência que, segundo os relatos, já teria feito 50 mortos, entre policiais e manifestantes.

O correspondente da BBC no Peru, Dan Collyns, que está na cidade de Bagua Grande, epicentro do conflito, descreveu um ambiente de tensão realativa na área. Forças policiais peruanas impuseram toque de recolher nas três principais cidades.

Enquanto isso, centenas de indígenas refugiados aguardam para serem transferidos aos seus povoados. Muitos afirmam que o cerco os impede de recuperar os corpos de seus familiares mortos.

Violência 

O povoado amazônico, que fica 1.400 km ao norte da capital, Lima, foi palco de violência acentuada no fim-de-semana, quando que cerca de 2,5 mil indígenas, muitos armados com facões, protestaram contra planos do governo de permitir a exploração de recursos naturais na região.

Cerca de 400 policiais de choque tentaram liberar uma estrada próxima de Bagua Grande, e o resultado foi mais violência. Um grupo de 38 deles foi feito refém.

Na violência que se seguiu, 22 policiais foram confirmados mortos. Relatos afirmam que cerca de 30 indígenas teriam sido mortos.

Segundo o correspondente da BBC, as comunidades indígenas questionam os números de vítimas divulgados pelo governo, e elaboraram suas próprias listas de mortos e desaparecidos entre os manifestantes.

Em nota divulgada na noite da segunda-feira, uma organização peruana de direitos humanos, Epaf, manifestou cautela em relação à veracidade dos números divulgados por ambos os lados.

"Manifestamos preocupação de que os números de mortos e feridos divulgado pelo governo e as organizações da sociedade civil sejam distintos e em muitos casos contraditórios", afirmou a organização.

A ONG disse ainda "sentir que as explicações dadas pelo Estado para a intervenção proveem justificativa insuficiente para as ações tomadas".

Ressentimento

Dan Collyns observou que é forte o ressentimento de governo e manifestantes nos conflitos que se transformaram em violência.

O governo veicula campanhas televisivas retratando os povos nativos como "selvagens" e "bárbaros" que matam policiais desarmados e fazem outros reféns.

Já os indígenas dizem que estão defendendo seus diretos ancestrais à terra. "Nossa floresta é nosso mercado, é de onde tiramos o que precisamos para sobreviver. A direção que este governo está tomando vai nos deixar apenas com água e ar", disse uma à BBC.

Desde princípios de abril, o governo do presidente Alan Garcia enfrenta protestos indígenas contra uma série de decretos legislativos que regulam os recursos hídricos e florestais, em especial contra uma lei que permite às empresas estrangeiras explorar madeira e minérios em terras indígenas.

Mas o Executivo afirma que a legislação garante 12 milhões de hectares de floresta aos povos indígenas.

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