Zamboanga (Filipinas), 20 out (EFE).- Um comandante renegado da Frente Moura de Libertação Islâmica (FMLI) reapareceu hoje para culpar o Governo das Filipinas pelo reinício da violência no sul de Mindanao por voltar atrás em um pacto sobre os domínios ancestrais reivindicados pelos rebeldes.

Abdurrahman Macapaar, conhecido como Comandante Bravo, disse em uma entrevista à TV local que a decisão da presidente, Gloria Macapagal Arroyo, de retirar seu apoio ao memorando de entendimento demonstra que não deseja a paz.

O líder guerrilheiro ressaltou que seus homens continuarão combatendo até que as autoridades de Manila cedam o controle de Mindanao ao povo muçulmano.

"Agora desejamos a independência e estamos dispostos a arriscar nossas vidas para conseguir a paz e a justiça islâmica", declarou Macapaar, por cuja captura o Ministério da Justiça oferece recompensa de cinco milhões de pesos (US$ 110 mil).

A respeito dos inocentes que morreram desde que, no último mês de agosto, foram retomadas as hostilidades entre ambos os lados, o comandante descrente do FMLI afirmou que seu grupo não matou civis, "pois é proibido pelo Corão".

Da mesma forma, considera que os preceitos do Islã o impedem de se render ao inimigo.

"Como podemos entregar as armas se Alá não nos ordenou?", se perguntou Macapaar, que anunciou que lutará "até o último homem" por um Estado islâmico independente em Mindanao.

"Caso você queira uma guerra, terá", ameaçou, dirigindo-se à líder do Estado filipino.

Desde que, em agosto passado, a Corte Suprema suspendeu o acordo do citado memorando de entendimentos, a violência causou mais de 300 mortes e deixou cerca de 500 mil pessoas desabrigadas no sul de Mindanao.

Fundado em 1984, o FMLI é a maior organização separatista das Filipinas com mais de 12 mil militantes.

Quase quatro décadas de conflito étnico, religioso e tribal causaram 120 mil mortes e deixaram aproximadamente dois milhões de refugiados em uma das áreas mais pobres do arquipélago. EFE rp/fh/fal

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